O que é Doença Celíaca?

Maio é o mês de Conscientização da Doença Celíaca, por isso farei uma série de posts sobre o assunto, com bastante dicas para os celíacos (como eu) e muitas informações para aqueles que nunca ouviram falar dessa doença, facilitando assim o nosso convívio.

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O que é a Doença Celíaca?

A doença celíaca é a intolerância ao glúten. Uma condição crônica, autoimune que afeta apenas pessoas geneticamente predispostas. É caracterizada pela inflamação da mucosa do intestino delgado, podendo resultar na atrofia das vilosidades intestinais, com conseqüente má absorção dos alimentos.

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Quais os sintomas?

Os sintomas nos celíacos são super variados e dependerá de cada organismo. Os mais comuns são os gastrintestinais, mas mesmo quando eles não estão presentes, podem causar problemas em outros sistemas do nosso corpo, já que o contato com o glúten é extremamente inflamatório, deixando o sistema imunológico sempre em alerta, atacando a si mesmo. Essas inflamações nem sempre são perceptíveis e muitas vezes o doente não associa elas com a doença celíaca, fazendo com que o diagnóstico seja tardio. Alguns dos sintomas extra-intestinais mais comuns são: dermatite, desnutrição, anemia, depressão, emagrecimento, ataxia, irritabilidade, sensibilidade alimentar, alergias, transtornos de ansiedade, osteoporose, esterilidade, tonturas, fraqueza, abortos espontâneos, endometriose, doenças neurológicas, reumatismo, alopécia, pólipos, tireoidite de Hashimoto, diabetes, câncer e etc. (Muitos mesmo, né?!) A doença celíaca pode levar à morte se não for tratada.

Diferente da intolerância à lactose, por exemplo, que os sintomas aparecem logo após a ingestão do alimento, no caso do glúten, os sintomas nem sempre são instantâneos, mas podem causar danos a longo prazo e são mais perigosos.

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Ela é contagiosa? Como se adquire?

Não é contagiosa! A doença celíaca ocorre apenas em pessoas com predisposição genética. Pode surgir em qualquer idade, inclusive nas pessoas adultas. Até 2% da população mundial é celíaca e só no Brasil temos em torno de 2 milhões de pessoas – mas a maioria ainda está sem diagnóstico.

Não passa através do sangue, sexo, secreções ou qualquer contato com as pessoas, mas pode ser transmitida geneticamente (de pai para filho, por exemplo). O risco de um parente ter a doença é de 1/10.

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Como a Doença Celíaca é diagnosticada?

Somente um médico gastroenterologista pode dar o diagnóstico, que é feito em duas etapas. Primeiro é feita uma triagem através dos exames de sangue (anticorpos anti-endomísio e anti-transglutaminase tecidual) e em seguida é realizada uma biópsia do tecido intestinal através de endoscopia. Este último é considerado o padrão-ouro para o diagnóstico.

Também pode ser feito um exame adicional para detectar os genes HLA-DQ2 e HLA-DQ8, mas a simples presença deles não determina que uma pessoa a desenvolva. Em alguns casos, os celíacos também são intolerantes à lactose, sendo necessário um exame clínico adequado para determinar este diagnóstico.

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O que é o glúten?

O glúten é uma proteína insolúvel composta de gliadina e gluteína. Ele é responsável pela consistência elástica nas massas e está presente nos seguintes alimentos: trigo, aveia, centeio e cevada.

Somente deverá ser excluído da dieta após todos os exames serem realizados e o diagnóstico de doença celíaca for confirmado pelo gastroenterologista, que encaminhará o paciente para os cuidados de um nutricionista. Caso contrário, os resultados podem dar falso negativo, prejudicando o diagnóstico e colocando a saúde em risco.

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Qual é o tratamento?

O único tratamento é uma alimentação sem glúten rigorosa por toda a vida. A pessoa que tem a doença celíaca nunca poderá consumir alimentos que contenham trigo, aveia, centeio e cevada ou os seus derivados. A dieta sem glúten permite a recuperação imediata da mucosa intestinal, mas seu restabelecimento leva de 1 a 2 anos, em média.

Também é necessário cuidar com a contaminação cruzada de glúten, tanto no preparo dos alimentos, quanto em produtos de higiene e cosméticos. Há mais informações nesse Guia Orientador Para Celíacos, disponibilizado no site da Acelbra, e mais adiante publicarei uma lista com os cosméticos seguros para celíacos aqui no blog.

Dependendo do estrago ocasionado pelo glúten em nosso intestino, algumas alergias e hipersensibilidades alimentares podem surgir. Não desanime, pois o uso de probióticos e o acompanhamento médico e nutricional poderá resolver quase que por completo com o passar do tempo. Tenha muita paciência e evite jejuns prolongados. Uma alimentação rica em nutrientes é fundamental para a recomposição da flora bacteriana, sistema imunológico e restauração das vilosidades intestinais.

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COMO SUBSTITUIR O GLÚTEN NOS ALIMENTOS?

Há diversas opções deliciosas que substituem facilmente o glúten na nossa vida. Basicamente a farinha de arroz, milho, batata, polvilho e mais alguns outros ingredientes, como os emulsificantes goma xantana, goma guar, psyllium e cmc, farão parte da vida do celíaco, substituindo por completo o trigo no preparo de massas. O problema maior ficará por conta dos alimentos industrializados, que são pouco fiscalizados no Brasil e muitos podem ter contaminação cruzada ou mesmo rotular como seguro equivocadamente. Comer fora de casa será MUITO difícil também, porém não impossível. Mas para tudo há uma solução e conforme nos acostumamos com essa condição celíaca, vamos aprendendo a sobreviver fora da nossa bolha.

Não se preocupe, pois aos poucos vamos curando o corpo e voltando a digerir normalmente os demais alimentos sem glúten que em um primeiro momento parecia que não conseguíamos mais, como a frutose, por exemplo.

Sempre leia os rótulos com muito cuidado e entre em contato com o SAC das marcas para garantir que cada produto que você pretende ingerir seja 100% seguro para celíacos. Muitas marcas afirmam ser livre de glúten apenas para conquistar a fatia enorme do mercado de quem faz essa dieta pela moda, então não tomam todos os cuidados necessários que um consumidor doente precisa. Não tenha medo e nem vergonha de ser chato nessa cobrança, afinal, é sua saúde que está em jogo.

Devo ressaltar que ‘dieta sem glúten’ não é sinônimo de ‘dieta low carb’. Muito pelo contrário! Utiliza-se farináceos tanto quanto em uma dieta comum e, inclusive, ela pode ser até mais calórica, visto que muitas vezes é necessário acrescentar uma quantidade maior de gordura para obter a maciez que o glúten proporcionaria na composição. Então se você quer emagrecer, certamente essa não é a dieta ideal para você. O celíaco emagrece por estar doente, não por causa da dieta. Procure um nutricionista e faça uma reeducação alimentar se o seu objetivo for esse.

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O glúten faz mal para quem não é doente celíaco?

Não! O glúten faz mal somente para doentes celíacos. Há um terrorismo alimentar acerca dessa proteína, mas não existe estudo científico que confirme os malefícios do glúten em organismos não celíacos. Sem contar que muitas pessoas com “sensibilidade ao glúten” são apenas celíacos mal diagnosticados, o que é um perigo, pois a maioria não segue a restrição ao glúten de maneira correta. (E ainda prejudicam os celíacos que precisam de ambientes seguros para comer fora de casa).

Há várias outras doenças tão perigosas quanto a doença celíaca e com sintomas muito semelhantes, mas que precisam de tratamentos diferentes (alergia do trigo, intolerância à frutose, sensibilidade ao fermento ou carboidratos, doença de chron, síndrome do intestino irrítável, disbiose, etc). Só os exames irão comprovar e te guiar para o caminho correto. Se você acha que tem doença celíaca, procure urgentemente um médico gastroenterologista especializado e não pare de comer glúten antes disso!

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Qual médico eu devo procurar?

Somente o médico gastroenterologista especialista em doença celíaca pode dar esse diagnóstico. Logo após, ele lhe encaminhará para um nutricionista para que a sua dieta sem glúten seja formulada de maneira adequada. Caso seja necessário outros tipos de exames, dependendo dos problemas de saúde ocasionados pela DC, ele também poderá indicar outros especialistas, como: dermatologista, endocrinologista, ortopedista, neurologista, etc.

O ideal também é fazer um tratamento psicológico, pois além do stress emocional de ter que seguir uma difícil restrição do glúten para o resto da vida, ainda há danos físicos causados pela doença, que estão diretamente ligados ao nosso humor e sensação de bem-estar (serotonina, por exemplo).

Nutricionistas, endocrinologistas e demais profissionais da saúde não podem cortar o glúten da sua dieta sem antes ter o diagnóstico de um gastroenterologista e todos os exames de doença celíaca realizados.

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Quando procurar um nutricionista?

Somente DEPOIS do diagnóstico médico (nutricionista não é médico)!
Nunca faça dieta de retirada do glúten antes disso.

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O nutricionista irá ajudar a planejar uma dieta livre de glúten, indicar alimentos para restabelecer suas carências nutricionais e ainda poderá prescrever algum probiótico para restaurar a sua flora intestinal.

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Onde encontrar um especialista?

A Acelbra disponibiliza no site deles, divido por estados, o nome de alguns profissionais capacitados para atender doentes celíacos e pessoas com suspeita deste diagnóstico. Consulte o seu plano de saúde para mais informações ou procure pelo atendimento do SUS. Todos os exames estão disponíveis gratuitamente na rede pública.

Aqui na minha cidade, Caxias do Sul – RS, eu faço tratamento com o Dr. Ronaldo Stumpf, que é excelente. Outro médico que também indico, porém esse é de Porto Alegre, é o Dr. José Inácio Sanseverino.

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No próximo post contarei como eu descobri que sou celíaca.
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Para acompanhar todas as publicações referentes a esse assunto, clique aqui.

crédito animações: ted-ed

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5 comentários sobre “O que é Doença Celíaca?

  1. Angela disse:

    Oi, muito bom o post, somente senti falta dá SGNC (sensibilidade ao glúten não celíaca), que foi aceita como doença pela convenção médica em 2012 e assim como a DC , quem a tem e não faz a dieta sem glúten tem os mesmos riscos de desenvolver doenças autoimunes e outras complicações. Hoje são reconhecidas a alergia ao trigo (5% dá população), DC (1%) e SGNC (10%), também tem ataxia causada pelo glúten. Então falar que só quem tem tem DC precisa fazer dieta sem glúten não é verdadeira

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    • sininhu disse:

      Oii, Angela!
      Me envia o artigo científico que fala sobre isso, por favor?

      Não encontrei nada sobre isso em todos os livros e artigos que li sobre o assunto, apenas que a sensibilidade ao glúten possui outras causas ou é uma doença celíaca mal diagnosticada.
      Quem tem alergia ao trigo tem que evitar o trigo e não o glúten em si. Essa pessoa poderá comer cevada, centeio e aveia sem problemas.
      Há também os que possuem intolerância à frutose, sensibilidade aos fermentos e carboidratos ou disbiose, por isso sentem dificuldade em digerir alimentos “com glúten”, mas não é pelo glúten em si e sim pelos demais componentes desses alimentos.

      Até onde pesquisei tb, essas pessoas não possuem os mesmos riscos de saúde do que um celíaco (apenas quando é um celíaco mal diagnosticado), visto que não é um problema autoimune.

      O que eu vejo é muitas pessoas dizendo que possuem sensibilidade ao glúten cortando o glúten sem antes ao menos buscarem auxílio médico para chegar a um diagnóstico preciso. Muitos vão apenas no nutricionista e fazem a dieta de retirada do glúten por um período como teste e depois voltam a ingeri-lo para analisar os sintomas. Isso não está certo! Primeiro que o glúten não possui efeito imediato no organismo, não é como uma reação alérgica, por exemplo. Segundo, que a reintrodução do glúten pode ser de altíssimo risco. Terceiro, prejudica os exames, podendo ocasionar um resultado falso negativo para doença celíaca. O glúten, depois de entrar em contato com o organismo sensível a ele (celíaco), provoca uma inflamação que pode demorar até 25 dias para aparecer, então não existe essa história de “testar ingestão de glúten para analisar como se sente”. Sem contar que muita gente acha que é sensível ao glúten pelo simples fato de se sentir inchado, gordo ou com a barriga estufada logo após comer um pãozinho, por exemplo. Se apenas isso fosse um problema sério, com certeza os celíacos estariam seguros! Por isso acho que essa história banaliza um problema que é seríssimo. Se não há marcadores de sangue ou biópsia, não há inflamação provocada pelo glúten.

      Algumas pessoas ditas “sensíveis ao glúten não celíacas” podem possuir problemas bem mais sérios de saúde que ficam mascarados por esse falso diagnóstico preguiçoso e não estão tendo um acompanhamento médico sério que pesquise mais a fundo e descubra o real problema que as afeta de verdade.

      Sou do time que acredita que só DC precisa ficar sem glúten, sim. Mas estou aberta à opiniões científicas que não tenham sido refutadas.

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