O fantástico conteúdo inatingível da internet

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Já perceberam como as pessoas tendem a seguir determinados grupos e modas online de tempos em tempos? Como estou há muitos anos na internet, desde a época em que ela ainda era discada, já passei por quase todas e pulei fora das últimas – talvez seja a velhice (ou maturidade) chegando antecipadamente.

Mas vamos falar do meio que nos interessa, que são os blogs e etc. Quando os blogs surgiram e começaram a bombar, lá por 2009, ainda deu tempo para muitas anônimas interessadas em trabalhar na área conseguirem embarcar nesse trem e ainda sentar na janela. Como falei anteriormente, o público de meninas enxergava as blogueiras como pessoas comuns que poderiam facilmente conversar com elas de igual para igual, usavam as roupas parecidas e acessíveis, tinham gostos semelhantes. Depois que a fama (e as cifra$) chegou, tudo isso passou a não fazer mais parte da realidade da maioria dos blogs do Brasil, transformando as dicas de moda em algo tão inacessível quanto as apresentadas nas revistas – falam bem de quem as paga mais ou sobre algo que aumente seu status. Cabou-se.

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Aí veio o Instagram, como uma tentativa de proximidade, mesmo mostrando o mundo de ângulos surrealistas que fariam até mesmo o Salvador Dalí e Max Ernst terem inveja. Aliás, esse parece ser o objetivo principal do aplicativo, causar inveja: comida mais deliciosa, animais mais fofos, corpos mais sarados, viagens perfeitas, filtros que apagam os defeitos, “cotidiano” enfeitado, etc. O conteúdo ficou tão inatingível para o público, principalmente para as meninas novinhas, que elas precisaram migrar para uma nova plataforma para se inspirarem – afinal, nem todo mundo quer viver simetricamente.

Então foi a vez das Youtubers. Lindas, sempre felizes e sorridentes, fofas, dando dicas bem realistas (principalmente de maquiagem e diy). Elas tinham um conteúdo muito plausível, real e simples. Todo mundo conseguia se ver em ao menos uma delas. Até que toda essa simpatia virou efusividade e os sorrisos ficaram tão grandes e forçados que não conseguíamos mais nem enxergar quem estava por trás deles. É claro que sempre haverá os “baixinhos” para acompanharem as Xuxas do Youtube, pois ali é a Terra do Nunca, ninguém envelhece nunca, então há um público que continua fiel até completar os seus 16 anos de idade. O pessoal acima dos 20 ~ 25 não tem mais tanto espaço nesse playground gigante.

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Muitas adolescentes cansaram de ouvir suas ídolos afinarem cada vez mais a voz, enjoaram de tanto doce, infantiloides, good vibes e bater de palmas para o sol, por isso acabaram migrando para o Tumblr, um lugar beeeem mais cool. Lá você não precisa ser perfeita da cabeça aos pés, já que um cabelo desarrumado pode ser muito estiloso; a sua make não precisa ser carregadona, basta um rímel e uma pele bem natural; aliás, seu rosto nem precisa aparecer nas fotos se não quiser; um pijama pode ser muito mais atraente do que um look todo elaborado; camisetas básicas e jeans são o go-to e as fotos lindas sempre expressam uma espontaneidade e despretensão que, mesmo fake, fica bem crível (e fácil de copiar em casa). É o que atualmente tem influenciado todos os outros formatos de conteúdo de internet – e os offlines também, vide muitas revistas de moda.

O ponto que eu quero chegar com esse texto é: nada que não seja verdadeiro dura, obviamente. Mas o que é fundamental mesmo é não deixar o seu blog, o seu canal do Youtube, o seu Instagram, ou etc, virarem uma caricatura deles mesmos, não deixar cair no estereótipo. Esse será o grande divisor de águas daqui para frente. Ou você cria algo contundente e que acrescente algo para o seu seguidor/leitor, ou estará fadado ao ostracismo. Do mesmo jeito que aconteceu com os jornais, com as revistas de moda e assim vai. Só os bons vão sobrevivendo.

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Eu, como grande observadora e consumidora desse tipo de conteúdo de internet, vejo tanta gente forçando desesperadamente para se encaixar nas novas mídias que surgem, chega a ser ridículo. Uma menina que é boa em escrever não precisa necessariamente ser boa para tirar fotos de Instagram ou produzir vídeos, por exemplo. Do mesmo jeito que quem faz vídeo não consegue se dar bem com a linguagem escrita. Não é pq somos vizinhos na internet que precisamos fazer as mesmas coisas. Foquem no que sabem fazer melhor ou migrem com ideias novas e diferentes para os outros lugares, mantenham-se originais e reais para seu público alvo. Não faça algo só pq é “muito coisa de blogueira/youtuber/tumblr”. Quem se destaca nessas áreas é quem faz diferente ou quem criou esse esterótipo. Se você está copiando algo, então automaticamente está seguindo os passos dos outros e perdeu o controle da boleia.

Se você cria conteúdo para crianças e adolescentes, não fique esnobando com marcas carérrimas, por exemplo. Afinal, são pouquíssimas (íssimas mesmo) que ganham uma Chanel, pinceis da MAC ou um Louboutin dos pais enquanto ainda estuda – a maioria nem depois de anos de formação acadêmica e carreira consolidada conseguem tal fato. E nem precisam, né? A felicidade e realização das pessoas nem sempre está atrelada a essas coisas materiais absurdas. A empatia, o se colocar no lugar do outro, é uma boa estratégia nessas horas.

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Do mesmo jeito que se você é especializada em moda, não precisa fazer propaganda de desinfetante ou Doritos – sei lá, tô chutando coisas aleatórias como exemplo. Você quer ser blogueira ou celebridade? Menos ego e mais foco. Também não há nada de errado em ser prestigiada pelos grandes estilistas da alta costura, mas lembre que você é uma blogueira e precisa influenciar conteúdo e não apenas label. As suas leitoras até gostam de se inspirar na sua nova bolsa Hermès, mas querem encontrar essa informação de uma forma que possa ser acessível para ela – por exemplo, encontrar uma bolsa semelhante e boa de uma marca nacional que não custa o preço de 2 rins. Mantenha os pés no chão, você é uma blogueira. Use como exemplo o motivo do fracasso das revistas de moda e entenderá muito bem o ponto que quero chegar aqui.

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Não tem nada de errado se você é fitness, malha, tem um corpo bonito e curte se exibir no Instagram, mas tenha noção de que você não é formada em saúde e não está apta para dar dicas de nutrição ou exercícios. Mostre a sua rotina, mas frise muito bem para o seu público a importância dos profissionais que estão ao seu lado te ajudando a conquistar tudo aquilo. Seja honesta. Também tenha muito cuidado com as suas palavras, já que o seu público é em grande maioria formado por pessoas com baixa autoestima e/ou com transtornos alimentares ou de imagem. Empatia sempre! Pesquise sobre o seu público e seus conflitos, entenda como passar mensagens corretas sem ofender, sem diminuir os outros e sempre direcionando eles para buscarem auxílio de profissionais da saúde (médicos, psicólogos, nutricionistas, educadores físicos).

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Tá faltando pé no chão? Tá! Tá cheio de estereótipos chatos por aí? Demais. Tem muita gente padronizando tudo? SIM, MUITA! Então deixo a dica aqui para vocês que consomem, criam ou querem criar conteúdo em qualquer uma dessas plataformas. Uma crítica construtiva que espero que sirva de lição para todo mundo que sempre me pergunta como ter sucesso na internet.

Para você que é apenas leitor ou seguidor, não esqueça de exigir tudo isso da pessoa que você admira. Não precisa ficar criticando e enchendo o saco nos comentários, apenas dê unfollow, troque de canal, blog ou @. A sua falta será sentida – quem trabalha com isso depende do seu like, da sua inscrição e do seu número para fazer volume.

Assistam também o vídeo da Mayã Meirelles que fala sobre a falta de conteúdo no YouTube.

P.S.: Em momento algum eu quis ofender ninguém e nenhuma crítica foi shade para nenhuma blogueira/youtuber/instagrammer em específico. Isso tudo é um pequeno desabafo sobre uma constatação geral que tive e achei válido compartilhar.

Todas as fotos do post são do talentosíssimo Miles Aldridge.

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Você quer ser Blogueira ou Socialite?

socialite x blogueira - Renata Boeck enjoying breakfast in bed at the Regency Hotel in New York 1964 - Slim Aarons - blog moda got sin 01

Ultimamente li alguns textos e ouvi relatos sobre o estilo de vida das blogueiras que me confundiu um pouco e eu gostaria de esclarecer a minha visão sobre isso por aqui. (Vai ter textão!) Também gostaria de saber o que vocês pensam sobre esse assunto, então sintam-se à vontade para comentar suas opiniões.

BLOGUEIRA X SOCIALITE

Se você quer ir em todos os eventos (que são um sacooooo!!!), festas chiques, desfiles para fazer social, viajar para publicar no Instagram e etc…. Então você não quer ser blogueira, quer ser SOCIALITE! Não há nada de errado com isso, você pode ser quem quiser, só não confunda as coisas e dê nome certo aos bois, por favor.

Há blogueiras que são socialites? Com certeza! Mas 99% delas já eram socialites ANTES de virarem blogueiras e usam os seus blogs para exibirem esse lifestyle. Ser blogueira profissional não quer dizer que essa deve ser a sua ambição. Pelo menos a minha nunca foi.

O QUE É SER BLOGUEIRA?

Para quem é old school como eu, com certeza deve lembrar do tempo em que blogs eram sinônimo de diário virtual para praticamente “deixar escondido”. Os motivos para isso eram simples: 1) Quase ninguém entendia/sabia o que era um blog, então era complicado explicar. 2) Os posts eram pessoais e serviam para desabafo, mesmo que fosse para compartilhar apenas imagens do tipo gif. 3) Quase ninguém usava a internet.

Confesso que antigamente eu preferia a parte de criação de layout do que escrever conteúdo. Nós vivíamos em um mundo colorido isolado do resto das “pessoas normais” que, no máximo, usavam a internet para entrar em chats na época. Era praticamente uma sociedade alternativa cheia de glitter. As interações ocorriam apenas entre pessoas com as mesmas afinidades – isso quando ocorriam.

COMO AS BLOGUEIRAS COMEÇARAM A FICAR FAMOSAS?

Lá no começo dos blogs, os famosos eram aqueles que criavam layouts e compartilhavam os códigos para enfeitá-los com a galera. Naquela época eram conhecidos como webmasters ou webmistress. A profissão dos sonhos não era ser blogueiro, já que isso nem rendia nada e muito menos era visto como profissão, mas sim designer. Os designers poderiam trabalhar vendendo os seus layouts fofinhos e também conseguir uns ‘freelas’ com algum site ou revista.

O tempo foi passando, algumas blogueiras migraram suas atenções para redes sociais como o Fotolog e Orkut e acabaram abandonando os blogs ou deixando-os no ostracismo. Algumas nunca deixaram de publicar, cultivando um público amigo desde o comecinho. Esse público era interessado em conhecer a vida dessas blogueiras, afinal, os compartilhamentos dos blogs contavam praticamente tudo o que elas faziam (como foi o feriado, o que comprou para dar de presente no Natal, o que fez nas férias, etc).

TÁ, MAS E AS BLOGUEIRAS DE MODA, SURGIRAM COMO?

Dessa relação de voyeurismo, as pessoas olhavam as blogueiras como amigas. Elas compartilhavam suas opiniões com o público como se estivessem falando com alguém próximo. Por exemplo: Estreou um filme no cinema e todos estavam loucos para assistir, a blogueira foi e colocou a opinião dizendo se valia ou não a pena, muita gente se importava com aquela dica e acabava incentivada ou desistia logo ali. Afinal, aquela blogueira pensava MUITO igual a ela, era como se estivéssemos conversando com uma amiga de verdade e que, talvez, fosse mais parecida com a gente do que as verdadeiras (de carne e osso) que andavam conosco no nosso cotidiano. A confiança nas blogueiras nasceu dessa forma.

Nisso, muitas meninas eram apaixonadas por moda e compras e falavam disso também. A gente via a Paris Hilton, a Britney (sim! ela era bem influente na moda da nossa época, tá!), a Christina Aguilera e diversas celebridades gringas usando roupas lindas que não eram encontradas por aqui, morríamos de vontade de usar a mesma coisa. Não era nem pela marca, mas sim pelo estilo mesmo. Comprar estilo no Brasil era muito caro.

Então, algumas dessas meninas começavam a vasculhar as fast fashions (por sinal, beeeeem pobrinhas em estilo na época) que tínhamos por aqui, alguns sites gringos que enviavam mercadoria para o Brasil ou até mesmo lojas de algumas grifes daqui. Elas compartilhavam os “achados” delas como verdadeiras “dicas de amiga“. A confiança nas blogueiras foi se consagrando.

Todo mundo percebeu que fazer isso rendia muitos views para o blog, algo bem difícil de se conseguir no passado, e muita gente embarcou nessa ideia. Aqui no Brasil o ‘boom’ dos blogs começou em 2009, apenas quase 10 anos depois de muita gente já ter escrito milhares de textos que ficaram praticamente no anonimato ou perdidos no tempo. Quantos layouts perdidos, quantos cursores animados abandonados. Tudo aquilo já não importava mais. O que fazia um blog ser interessante era o conteúdo útil para os leitores. As “dicas de amiga” viraram pauta principal.

O QUE PRECISAVA PARA SER FAMOSA NA ÉPOCA?

Bastava ter opinião, saber escrever (não no sentido de português correto, mas em termos de saber cativar o público), compartilhar dicas quentes, se dedicar exclusivamente para o blog 24hs por dia, dar notícias e trazer conteúdo antes dos outros e “só”. Não era fácil também, tinha que amar o que fazia.

Com o tempo, as pessoas exigiam cada vez mais a exposição das blogueiras. Se elas entendiam tanto assim de moda, então deveriam mostrar como colocavam as próprias dicas na pática. Será que elas se vestiam tão bem quanto pareciam entender de moda? Aí surgiu o look do dia.

Os looks do dia viraram a alma dos blogs. As pessoas não estavam mais interessadas em conteúdo, queriam apenas fotos das blogueiras – seja para se inspirar ou poder falar mal. (Lembram que mencionei o voyeurismo anteriormente?) Era uma loucura de pageviews em cada post desse tipo, o que incentivou algumas blogueiras a focarem somente nisso. O look do dia, que era semanal na maioria dos blogs, virou diário. Aquelas fotos amadoras com as câmeras portáteis ajeitadas em cima de um monte de livros ou tiradas pela sua mãe, viraram fotos profissionais de um fotógrafo contratado. A melhor câmera, a melhor lente, a melhor luz, entraram em pauta. Era um investimento necessário.

DE ONDE VEIO A FAMA RUIM QUE EU ESCUTO TANTO SOBRE BLOGUEIRAS DE MODA?

Haja roupa para fotografar todos os dias, né? As marcas mais espertas perceberam que era um bom negócio enviar looks para essas meninas usarem, afinal, elas ganhavam pageviews e eles vendiam que nem água. Aí acabou a dica de amiga! O blog virou negócio e a marca que aparecia por ali era a que pagava mais para a blogueira. Ponto. Tchau, honestidade.

(Percebam que nem entrei no ponto de blogs de beleza, já que nunca acompanhei muito esse tipo de conteúdo e também não foco nisso aqui no meu blog. Portanto, estou falando de blogs de moda apenas.)

As leitoras se revoltaram: “Como assim a minha amiga blogueira está mentindo para mim? Me sinto usada!” Reclamavam, batiam o pé, xingavam… mas, nada mudou. 99% dos blogs de moda são assim hoje em dia. Isso nem só aqui no Brasil, mas no mundo inteiro. Blog de moda é a versão contemporânea da revista de moda.

ENTÃO O PROBLEMA SÃO AS BLOGUEIRAS?

Eu não acho que o problema seja as blogueiras, mas sim o público. Se o conteúdo incomoda, basta procurar por outros melhores e que são compatíveis com a sua opinião e o seu gosto. O mundo dos blogs não é tipo a Globo na sua televisão. Você não tem só um canal. Você tem várias opções disponíveis. Aliás, tem milhares de blogs excelentes que não recebem o mínimo crédito por isso e que cativam muito mais do que os grandes e famosos.

NÃO HÁ MAIS BLOGS HONESTOS?

Há blogs honestos? Sim. Há quem bloga com o coração e não apenas pensando nos pageviews? Sim! Mas o público é um pouco sadomasoquista, gosta de acompanhar conteúdo inatingível: blogueiras com looks carérrimos, lifestyle de socialite, gente que ama academia e dieta, gente feliz o tempo todo, vida perfeita de adolescente quando se é adulto e etc. Todo mundo sabe que esse tipo de conteúdo é uma manipulação da realidade, assim como você, eu e todo mundo faz nas redes sociais em menor escala. Ninguém vai publicar sobre como aquele sapato fez a sua unha encravada inflamar, vai mostrar apenas o lado bom daquilo. As pessoas querem conteúdo de cheerleader, ou seja, que as animem e não ao contrário.

É claro que perfeição demais incomoda também. Aqui no Brasil a pessoa, para ser famosa seguindo aqueles parâmetros citados no parágrafo anterior, precisa ter um background de sofrimento para não ser um inimigo público: tem que ter sofrido bullying, superado dificuldades com o peso, ter sido pobre, ter sido feia, ninguém ter brincado com ela na hora do recreio e etc.

NEM TODO BLOGUEIRO QUER SER FAMOSO.

A afirmação parece chocante mas é realidade. Tem muita gente que bloga por amor, como brincadeira, hobby, para desabafar, desopilar, fugir da depressão ou outros problemas de saúde e etc. Para ter um blog você não precisa de fama e nem almejar ela. Há quem apenas goste de compartilhar conteúdo com pessoas que pensam da mesma forma. Talvez até construir amizades reais por causa dessa sintonia.

No meu caso, juro para vocês, a maior besteira foi ter comercializado o meu blog. Não querendo cuspir no prato que eu comi, mas tem coisas que não valem o dinheiro que eu ganhei. Não estava preparada para a fama em 2011, quando ela chegou de fato para mim. Não sabia lidar com um público de 60 mil pessoas por dia passando no meu blog. É exaustante! Tanto que eu não tive pique para aguentar e larguei de mão por um tempo até a coisa esfriar um pouco. A fama não tem apenas o lado bom, isso fica bem claro para quem acompanha as celebridades americanas. Fofocas, gente falando mal o dia inteiro, boatos, mimimi… tem que ser MUITO forte para aguentar. Vão querer controlar a sua aparência, o seu cabelo, a sua maquiagem, as suas roupas, com quem você sai, com quem deixa de sair, com o seu peso, o que você come e etc. Soma tudo isso com os seus problemas pessoais (que todo mundo tem) e tenta ver se conseguirá carregar esse fardo. Eu sempre achei que seria fácil e que tinha nascido para isso, mas vi que na prática não era bem assim. Então eu deixo um conselho muito importante para quem visa ter blogs focando nisso: cuidado! 

MAS DÁ PARA GANHAR DINHEIRO COM BLOGS?

Para ganhar dinheiro, acreditem, você não precisa de um blog. Na minha opinião é muito mais fácil estudar para um concurso público e garantir uma renda boa e fixa mensal do que conseguir lucrar com um blog novo hoje em dia. Particularmente, prefiro trabalhar e comprar as coisas que eu quero do que ficar esperando a marca x reparar em mim e me enviar presentinhos. Eu vejo que há pessoas que começam a blogar apenas com essa intenção, loucas para gravarem um vídeo de “recebidos do mês”. Mas aí eu fico pensando que não vale a pena se submeter à fama – que é beeeeeeeeeeeeeem ingrata e conturbada – para ganhar um rímel, um sabão em pó e um vestido. Sério! Você vale tão pouco assim?

A profissão de blogueira não é tipo ganhar na Mega-Sena. Ser blogueira profissional é ralar o dia inteiro. Vocês podem ver as fotinhos das fulanas viajando para lá e para cá, tirando fotos relax em hotéis caros e etc, mas a história por trás não é tão conto de fadas quanto parece. Não é.

“EU AMO VIAJAR E QUERO SER BLOGUEIRA POR CAUSA DISSO!”

Sinceramente, isso me incomoda muito. Por que associam blogueira com viagens? Eu ODEIO viajar! O-D-E-I-O! Já recusei viagem para os EUA, Europa, RJ no Fasano e mil outras, simplesmente porque não acho prazeroso passar “perrengue” para tirar fotinhos com fundo bonito para publicar nas redes sociais, causar inveja e aumentar a fama. Quando eu falo perrengue, eu quero dizer: viajar com agenda cheia de compromissos, fazer bate e volta, comer mal (mesmo em restaurantes chiques se come mal) e etc. Isso, no meu ver, não é NADA prazeroso. Viagem pra mim é sinônimo de conforto e lazer, apenas. Se eu quiser ir em algum lugar, eu mesma crio minha agenda para isso, pago pela viagem/hotel e etc. Para isso você não precisa ter um blog, basta ter um trabalho.

De nada adianta viajar e não trazer bagagem cultural (que não é aquela com o logo da sua grife favorita) de onde foi visitar. Se não existissem redes sociais, garanto que a maioria das pessoas não gostaria tanto de viagem quanto fingem hoje em dia.

VALE A PENA CRIAR UM BLOG?

Se você está se perguntando isso é porque não vale a pena para você. Se fosse algo que você quisesse fazer por amor, já teria criado o blog e parado de pensar nos lucros e no que vem depois. Por exemplo: Eu amo assistir filmes clássicos e noir, mas não ganho nada com isso, porém não vou deixar de assistir. É algo lógico.

É ERRADO CRIAR UM BLOG PENSANDO EM MONETIZÁ-LO?

Não há nada de errado. Mas se você tem essa intenção precisa estar ciente de que está abrindo uma empresa como qualquer outra. Hoje em dia precisa de um investimento pesado para monetizar um blog e chegar ao “topo” na semana seguinte da criação dele. Muita gente tem seguido uma “fórmula” que acham ser mágica (leia-se copiar o estilo de conteúdo alheio) e conseguem um pouco de status por conta disso. Eu já considero mais lucrativo investir toda essa grana e tempo em uma outra empresa, loja (se você ama moda) ou então em uma faculdade. Mas se você gosta de viver uma vida fake em que compra seguidores, vai fundo. ;)

Em 2015 eu acho muito difícil um blog profissional surgir do nada, com pouco investimento e se tornar um fenômeno automático como acontecia há uns 3 anos. Mas nada impede de você criar um blog e ele crescer aos poucos por causa do seu conteúdo legal. A competição hoje em dia é bem acirrada e há vários blogs com nomes consolidados no mercado. As empresas já sabem quais geram lucro certeiro e não estão afim de arriscar dinheiro com principiantes. É mais fácil monetizar um vlog do que um blog hoje em dia.

NEM TODA BLOGUEIRA FALA DE MODA.

Eu, por exemplo, sempre amei moda. Criei esse blog com a intenção de compartilhar a minha paixão com mais pessoas que gostavam desse tipo de conteúdo, pois não tinha muitas pessoas interessadas ao meu redor. Porém, nunca deixei de fazer posts com assuntos aleatórios que eu também amo: filmes, jogos, animais, autoajuda, alimentação, memes e etc. Mesmo o meu público não aceitando essas coisas muito bem.

Uma blogueira não precisa entender de moda ou maquiagem para monetizar um blog. Há pessoas que escrevem muito bem sobre outros assuntos e que fazem muito mais sucesso do que as de moda. Basta escolher falar sobre aquilo que ama de verdade, aquilo que você vai querer ler e estudar nas suas “horas vagas”. Se você ama fotografia, filmes, comportamento, séries, jogos, brinquedos, livros, PEDRAS… fale sobre isso!

Se não quiser monetizar o blog, também siga a mesma fórmula: AME O QUE FAZ. É simples.

COMO É A VIDA DE UMA BLOGUEIRA?

Sabe como é a minha vida de blogueira? Dormir de madrugada (isso quando não viro totalmente a noite) produzindo conteúdo para o outro dia, acordar descabelada como todo mundo, trabalhar de pijama praticamente o dia inteiro e trocar de roupa apenas para fotografar alguns looks do dia ou ir em algum evento (que eu evito ao máximo possível pois detesto), ler 500 mil tipos de sites e blogs para se inteirar das novidades do meio e do assunto que eu produzo, fazer as tarefas cotidianas da vida pessoal (cuidar dos meus cachorros, da casa, das contas, da alimentação, da mente, do corpo, da família, amigos e namorado – isso quando sobra tempo para existir esse último), editar algumas fotos para publicar nas redes sociais (o que eu tenho feito cada vez menos por motivos de: preguiça de exibicionismo). Não tem nada de glamour. Mesmo as tops blogueironas fazem coisas semelhantes e ainda viajam que nem umas loucas com as agendas lotadas de frescurinhas sociais impostas pelas marcas que as bancam.

O que você vê nos blogs e nas redes sociais é apenas a parte bonita. Por isso que seduz tanto a ideia de “ser blogueira” hoje em dia. Acham que tudo cai de mão beijada, que elas acordam igual em Hollywood no Youtube, que aquela comida linda da foto não dá dor de barriga, que o Louboutin não pode dar gangrena, que o cabelo e a pele estão sempre com filtro, que as roupas/bolsas de grife foram compradas com o dinheiro do blog (muitas ganham e muitas são só emprestadas)  e etc. Não é real. Ser blogueira profissional é quase como a carreira da Beyoncé: SMOKE AND MIRRORS (fumaça e espelhos). É um truque de ilusão. Não existe. Nem ela vive essa vida.

Nunca me esqueço de uma frase que a Cindy Crawford – uma das top models mais lindas que já existiu – falou:

“Eu queria parecer com a Cindy Crawford.
Nem eu acordo parecendo a Cindy Crawford.”

Ela sabia que aquela que estampava as revistas e banners das melhores marcas não era ela de verdade. A imagem da modelo era tão manipulada por ângulos certos, luzes, Photoshop, maquiagem e etc, que criava essa “femme fatale” impossível de ser alcançada até por ela mesma. Assim como acontece com as Angels da Victoria’s Secret. Assim como acontece com as blogueiras.

Lembrem-se sempre disso.