Rihanna foi de Papa no MET Gala

REACH OUT AND TOUCH FAITH

Estava muito ansiosa esperando pelos looks que desfilariam no MET Gala, basicamente por causa do tema: Heavenly Bodies – Fashion and the Catholic Imagination (Corpos Celestes: Moda e a Imaginação Católica). Eu amo um sacrilégio na moda, como o próprio nome do blog já diz, então esperava muita polêmica pela frente e minhas maiores apostas eram na Rihanna e Madonna.

Quem não decepcionou foi a Riri! Confesso que não estava tão preparada assim para esse tiro que foi o look da Rihanna, que se vestiu de nada menos do que o PAPA! Sim, com direito a mitra desenhada pelo Stephen Jones e tudo. Por trás do look, está a assinatura criativa do igualmente polêmico John Galliano, que comanda a grife Maison Margiela atualmente.

HABEMUS PAPAM

Um look que até faz sair fumaça branca do Vaticano desses, bicho!

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Os 30 clipes mais sexy de todos os tempos!

A revista Rolling Stone elegeu os 30 clipes mais sexy da história da música e a lista possui vários dos meus favoritos. Inclusive, a Britney Spears aparece em 4º lugar com o meu favorito de todos, I’m a Slave 4u (que merecia estar em 1º lugar). Também tem MadonnaRihanna, Selena GomezBeyoncé e Kanye West.

Concordam com a lista ou acham que faltou algum?

TOP 10

1. Chris Isaak- “Wicked Game” (1990)

2. Prince- “Kiss” (1986)

3. Madonna-“Justify My Love” (1990)

4. Britney Spears- “I’m a Slave 4 U” (2001)

5. Janet Jackson– “Any Time, Any Place” (1994)

6. D’Angelo- “Untitled (How Does it Feel)”  (2000)

7. Fiona Apple- “Criminal” (1997)

8. Rihanna- “S&M” (2011)

9. Kanye West- “Fade” (2016)

 

O Girl Power da Dior com a Maria Grazia Chiuri

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Pela primeira vez na história da Dior, depois de 69 anos, uma mulher assumiu o cargo de diretora criativa da maison. Maria Grazia Chiuri saiu da Valentino para trazer leveza e salvar a marca francesa do caos estético que Raf Simons deixou. O anúncio oficial veio ainda em julho, mas o desfile aconteceu apenas hoje, no dia 30 de setembro.

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O mais irônico é que a Dior teve função histórica na criação do estilo lady like, trazendo um shape com a cintura de vespa bem marcada e saias godê para o ápice dos anos 50, o perpetuando até hoje, mas os desenhos das peças sempre foram conduzidos por estilistas homens. Analisando a coleção de estreia da Maria, podemos perceber que ela trouxe fluidez e feminilidade para a marca novamente, que estava em falta por conta do minimalismo mal elaborado do Raf Simons – já falei por aqui o quanto eu estava descontente depois que ele assumiu o cargo em 2012. Apesar dele ter trazido uma modernidade e tentado conversar com um público mais jovem, quem acertou de verdade foi a Chiuri.

A coleção de estreia foi marcada pelo girl power em todos os sentidos, mostrando que as mulheres conseguem alcançar tudo aquilo que desejam – inclusive ser a líder criativa de uma das mais conceituadas grifes do mundo! Percebe-se a tentativa de traduzir os desfiles conceituais e a elegância da mulher Dior para transformá-las em “meninas Dior“!

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Esqueça aqueles shapes antigos e ultrapassados, essa coleção foi feita para agradar o pessoal da internet mesmo, bem ready-to-wear. Notamos a influência que o Instagram, Tumblr, Snapchat e blogueiras tiveram na moda, não apenas no sentido estético, mas também nos assuntos que são relevantes e que conseguem conversar com a moda.

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O New Look de Christian Dior desafiava a modernidade e a forma rigorosa de se vestir, devolvendo à mulher as curvas e o refinamento que a guerra havia apagado, uma moda totalmente nova naquela época. Maria Grazia Chiuri confronta a tradição da Maison Dior e reposiciona a mulher no centro, passando por cima das expectativas e questionando as verdades impostas. Traz uma reflexão sobre as formas de uma silhueta contemporânea, ágil, olímpica, elitista com uma elegância esportiva, mas acessível, pois o uniforme é um elemento ao mesmo tempo único e serial. Através dele, o corpo expressa sua individualidade, já que cada um moldará a roupa que veste e não mais o contrário.

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feminismo, assunto tão atual e necessário de ser abordado, também apareceu com força na coleção. Inclusive há algumas camisetas básicas que com certeza vão virar hit no Instagram – e serão copiadas ad infinitum.

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De maneira um pouco mais discreta, vemos a evolução da mulher na sociedade:

“Procuro estar sempre atenta ao mundo e criar uma moda compatível com as mulheres de hoje. Uma moda que acompanhe suas transformações, que fuja das categorias estereotipadas ‘masculino/feminino’, ‘jovem/menos jovem’, ‘razão/sentimento’, apresentando inclusive aspectos complementares. A esgrima é uma disciplina na qual o equilíbrio entre o pensamento e a ação é essencial, assim como a harmonia entre o espírito e o coração. O uniforme feminino da esgrima é idêntico ao masculino, exceto pelas proteções especiais. O corpo feminino adapta-se a esta roupa que, por sua vez, parece ter sido trabalhada de acordo com suas formas.”, explica Maria Grazia Chiuri

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coração bordado sobre o peito, como nas primeiras roupas das esgrimistas, traduz melhor do que mil palavras a intensidade e a força das emoções vividas pelas mulheres de hoje.

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Os elementos desse uniforme, como as máscaras, os casacos e os cadarços, fazem parte das peças explosivas cujas linhas exaltam a clareza construtiva do projeto de Maria Grazia Chiuri, que incorpora a ruptura fundadora das origens – aquela realizada por Christian Dior – para atravessar livremente uma história extraordinária marcada por diversos talentos, apropriando-se (como na Postproduction de Nicolas Bourriaud) de cada peça útil para construir uma nova gramática, na qual o tempo sempre presente da moda transcorre sem nenhuma lógica.

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Fascinada pelo aspecto íntimo e artesanal da Maison, ela experimenta vários materiais em montagens inéditas. Através de formas descontextualizadas e colocadas em movimento, inventa um diálogo entre os símbolos: o espartilho que não oprime e expressa com leveza e ironia o desejo de se observar e de se dar prazer; a liberdade de deixar visível uma peça íntima técnica e gráfica que segue as curvas do busto.

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Os elásticos estampados com o nome da marca fazem uma referência clara ao universo urbano. O que foi uma moda bem comum no começo dos anos 2000 (Top da Brasil Sul! Quem nunca? rs) e também já apareceu bastante nas coleções recentes da Moschino, que tem um público mais jovem.

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Prevejo a Rihanna usando esse vestido em breve!

Um prêt-à-porter aberto às influências do streetwear, com seus materiais técnicos e uma dimensão mágica, sonhadora, supersticiosa, quase vidente, tão adorada pelo fundador da Maison – que adorava isso e sempre lia cartas de tarot antes dos seus desfiles – e expressa por Maria Grazia em sua famosa frase: “Aprenda a seguir seus sonhos”. Suntuosos bordados com os signos do zodíaco cobrem os tecidos, transformando-se em verdadeiras telas. Inúmeras figuras do tarô, sabiamente aplicadas em diferentes locais, sugerem possíveis interpretações do futuro.

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Minhas peças favoritas foram os vestidos e saias bem fluidos, os blazers e as capris. By the way, essa última tendência já pode ser colocada em prática no verão, né? Fica bem em todo mundo, é confortável e ainda não é tão quente para o comecinho e final da estação.

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Esse rosa é o meu vestido favorito!

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Os acessórios também têm cara de hit, principalmente os chokers e brincos. A minha bolsa favorita foi a preta, bem parecida com as da Moschino tb.

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O penteado é bem fácil de copiar: Os cabelos são presos em um coque bem apertado com o diferencial das tranças adornando a parte traseira da cabeça. Mais uma vez mostrando que a praticidade é fundamental para a mulher atual.

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Não estou surpresa, pois era exatamente o que eu esperava dessa designer, visto o que ela costumava apresentar nas últimas coleções da Valentino. É claro que ela não tem aquela força conceitual e artística do Galliano, mas deu um refresh necessário que a marca e as mulheres consumidoras almejavam. Eu daria uma nota 4 de 5. Ela fez o que o Raf Simons não foi capaz de fazer, portanto estou muito feliz de poder acompanhar novamente os próximos desfiles da Dior – que eram os meus favoritos das temporadas até 2012.

O que acharam desse desfile?

Créditos das fotos: The Impression

A femme fatale e o feminismo

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Femme Fatale. Uma expressão francesa que significa “mulher fatal“, referindo-se à uma figura mitológica ou da literatura e filmes: a mulher sedutora que atrai os homens com poderes aparentemente sobrenaturais. Ela é a encantadora Circe, que transformou a tripulação de Odisseu em porcos e deteve-o durante um ano apenas com seu charme. Ela é a Eva, cujo desejo pelo proibido fez com que a toda a humanidade fosse expulsa do paraíso. Ela é Edie Sedgwick, a delicada, drogada, it girl original e garota linda profissional pelo qual o Velvet Underground escreveu uma música a pedidos de Andy Warhol. Mas ela é mais famosamente associada com os filmes noir dos anos 40 e 50, e os neo-noir dos anos 80 e 90, onde atrizes como a Barbara Stanwyck, Lana Turner, Jane Greer e, mais adiante, Sharon Stone, Glenn Close e Linda Fiorentino interpretaram as personagens cinematográficas mais memoráveis da história: sexy, fortes, ambíguas e às vezes letais.

Em filmes noir – o laboratório onde a mulher fatal foi refinada – uma glamourosa e manipuladora anti-heroína seduz um protagonista masculino, que tende a ser um cara único, solitário, grato pela sua atenção. Em seguida, manipula-o para cometer algum ato inescrupuloso, como matar seu marido. No filme “Pacto de Sangue“, Barbara Stanwyck interpreta Phyllis Dietrichson, uma loira misteriosa que convence um crédulo vendedor de seguros, Walter Neff (Fred MacMurray), ajudá-la a ganhar o dinheiro da apólice de seu marido, e, eventualmente, assassiná-lo. Em “O Destino Bate à Porta“, Lana Turner, como Cora Smith, esposa de um rico proprietário de restaurante nos anos 30, comete o mesmo crime; só os homens e a trama de assassinato diferem.

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É raro ver uma personagem desse estilo nos filmes atuais, talvez porque não seja mais um estilo empoderante para as mulheres contemporâneas, já que hoje a maioria possui sucesso profissional e dinheiro próprio. A ideia sugere que as mulheres só podem conseguir o que querem através de emboscadas, manipulações e sedução ao invés de qualquer tipo de realização meritocrática. Esse papel de femme fatale sugere que o sexo – a habilidade de ampliar seu significado, sugerir a possibilidade do mesmo ou de fazê-lo como uma promessa necessária para realizar tais êxitos – é uma ferramente que a mulher pode usar para perfurar e criar um túnel para conseguir um estilo de vida melhor no mundo masculino. Fico intrigada por mulheres que fazem disso um estilo de vida, pois eu nunca fui capaz de operar dessa forma. Sempre pareceu constrangedor, dramático, talvez um pouco primitivo e, certamente, antifeminista – ou assim eu pensava.

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Fiz faculdade no final dos anos 90, no auge da terceira onda do feminismo, quando a noção que prevalecia – absorvida dos atos que aconteciam no campus através de osmose – era que para vencer o “patriarcado”, e para “quebrar o teto de vidro”, nós não precisávamos apenas nos equiparar aos homens em todos os empreendimentos, nós precisávamos superá-los. Nós tínhamos que ser mais inteligentes, mais resistentes, mais hábeis. Então carreguei essa ideia em minha vida romântica e profissional de adulta. Não foi uma estratégia de grande sucesso. Eu trocava insights inteligentíssimos com os homens que eu queria transar, esforçando-me para mostrar o quão formidável eu era. Com medo de ser confundida como alguém que não é séria, eu ia para entrevistas de emprego fazendo de tudo para que eu parecesse menos atraente e feminina. Usava um terno grandão preto minimalista e um óculos de armação grossa, fazia um coque bem apertado no cabelo e colocava o tipo de maquiagem neutra dos anos 90. Eu não estava totalmente errada em pensar que o mundo categorizava as mulheres em “cérebro” ou “beleza”, “substanciais” ou “bobinhas”, e que as pessoas muitas vezes não podem “ter duas idéias opostas na mente ao mesmo tempo”, parafraseando F. Scott Fitzgerald. E, no entanto, sempre houve mulheres que de alguma forma conseguiram estar à vontade em sua feminilidade e ainda serem levadas a sério.

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Um tipo que domina isso muito bem – a arte de ser integral, pode-se dizer – é a femme fatale. Mesmo que ela raramente apareça nas telas de cinema hoje em dia, ela persiste na cultura popular. “Femme Fatale” é o nome do cd que a Britney Spears lançou em 2011 e também de uma linha de lingeries da Dita Von Teese. No vídeo perversamente divertido da Rihanna, “Bitch Better Have My Money“, a cantora é uma femme fatale gostosona de biquíni, maconheira e que tortura a esposa do seu contador como tentativa de recuperar o dinheiro que ele deve para ela. Na série “Orange Is The New Black“, Laura Prepon interpreta a Alex Vause, uma vigarista que seduz Piper (e não um homem desta vez, mas uma vítima no entanto), convencendo-a de transportar dinheiro do tráfico de drogas.

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Estes são apenas alguns exemplos, mas me convencem de que Hollywood deveria canalizar o que está claramente flutuando no espírito da época e dar ao público uma femme fatale nouveau: uma mulher que exerce poder intelectual e sexual, que é bem sucedida e astuta em seu próprio direito, mas também é carismática e tem uma intensa sexualidade manipuladora.

Fica notável a maneira que uma femme fatale clássica de filme noir como a Barbara Stanwyck (em Pacto de Sangue) parece, ainda agora, como algo moderno. “Eu nunca te amei, Walter” diz Phyllis *SPOILER* depois que ela atira nele, usando um terninho de seda para a ocasião. “Não é você, ou qualquer outra pessoa. Sou podre até o coração.*FIM DO SPOILER* Numa altura em que os únicos caminhos abertos para a maioria das mulheres eram o de esposa e mãe, esses personagens estraçalhavam a domesticidade tradicional – elas raramente tinham filhos – em favor da independência. “Nada no mundo é bom, a menos que você possa compartilhá-lo”, Jeff Bailey (Robert Mitchum) diz com sentimentalismo em “Fuga do Passado“, quando ele encontra Kathie Moffat (a jovem Jane Greer, que é tão linda que observá-la é como olhar para um eclipse solar) no México. “Talvez você deveria ir para casa”, ela responde para ele e dá uma tragada no cigarro.

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Estudiosos notaram que o arquétipo foi a resposta da cultura popular para mudar os papéis de gênero durante e após a Segunda Guerra Mundial: Mulheres começaram a trabalhar, tinham ganhado independência, renda própria e liberdade sexual; homens estavam preocupados com a ruptura da família tradicional e se ainda teriam local para trabalharem. A femme fatale foi uma projeção dos temores masculinos e uma demonstração para as mulheres do que acontece quando pisam fora dos limites. Na mesma linha, pode-se argumentar que os filmes neo-noir dos anos 80 e anos 90 foram uma resposta a um número crescente de mulheres que entraram na força de trabalho.

Em certo sentido, a femme fatale desapareceu porque o código entre os sexos mudou. O arquétipo dependia de um cavalheirismo que não existe mais; a femme fatale foi uma metade de um duo. “O que é isso tudo para mim?”, diz James Ellroy, autor da novela 1990 neo-noir “LA Confidential“, “É o homem no fim da linha em sua vida e carreira, e nada é mais emocionante existencialmente do que encontrar uma mulher que vai mudar sua vida… então o que você está procurando fazer é render-se incondicionalmente. Ela quer que você cometa um assassinato, ela quer que você cometa atos irracionais para agradá-la e, um certo tipo de homem, vai fazê-lo”. A mulher fatal não foi apenas o pesadelo de um homem, ela também era sua fantasia: uma mulher no comando de sua própria sexualidade, que iria assumir o comando de seu bem.

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Agora fica claro para mim o motivo, como uma mulher jovem descobrindo seus desejos e limites sexuais, de eu ter fixado a atenção em tais mulheres. Os suspenses neo-noir como “Instinto Selvagem” e “O Poder da Sedução” foram lançados quando eu tinha 16 e 18 anos, respectivamente, e apesar de proibido eu os assisti mesmo assim. Nunca esquecerei a emoção perversa de ver a loira platinada Sharon Stone (como a escritora Catherine Tramell) tornando uma sala cheia de detetives do sexo masculino sem palavras apenas com a sua cruzada de pernas, ou então a mistura estranha de choque e excitação quando a Linda Fiorentino (como a provocadora Bridget Gregory) desabotoa o cinto e agarra o pênis do cara (Peter Berg) que se gaba, após conhecê-la em um bar, que ele é super bem dotado.

Basic Instinct Year: 1992 Director: Paul Verhoeven Sharon Stone

Enquanto a violência desses filmes não é nada que eu tenha planejado imitar, no tempo em que estive na faculdade eu tinha, como a maioria das mulheres jovens, encontrado muito sexismo e idiotice masculina – como exemplos: o cara de 18 anos que disse para mim aos 14 anos que perder a virgindade era como aprender a andar de bicicleta; o professor de 40 anos que dava repetidas investidas em mim durante a escrita da minha tese – e o sadismo desse filmes continham uma resposta dura para esse tipo de comportamento. As maneiras desapegadas e cínicas que essas personagens tratavam os homens era uma revelação: Assistir elas permitia que eu canalizasse minha raiva não expressada, para experienciar uma espécie de fantasia vingativa.

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Em filmes noir, como muitos críticos têm apontado, a femme fatale é quase sempre punida, mas não é a sua queda que chama a atenção. Em vez disso, lembramos de uma mulher astuta, magnética e que consegue manobrar em torno de regras e expectativas constritivas da sociedade.

Recentemente houve um filme que ofereceu uma atualização sobre a femme fatale: uma mulher que faz a punição. “Garota Exemplar” apresentou Amy Elliott Dunne, interpretada com intensidade por Rosamund Pike. Amy não manipula um homem para fazer seu trabalho sujo, ela é diabólica sozinha. Claro, seu marido, interpretado por Ben Affleck, não é flor que se cheire também e assistir ao seu casamento suicida foi muito divertido.

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Hollywood adora uma fórmula comprovada, e o sucesso de “Garota Exemplar” certamente significa que, em breve, veremos alguns filmes estrelados por femme fatales alfa auto-suficientes. Mas há espaço para o gênero evoluir ainda mais. Que tal filmes que exploram a subjetividade da femme fatale, em que sua sexualidade, apesar de assegurada, não precisa ser uma performance?

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Apesar de eu ter passado este texto defendendo um retorno às artimanhas femininas, há, pelo menos, uma maneira em que as mulheres poderiam ser mais como os homens. Os homens não são forçados a separar suas personalidades e nem precisam escolher um tipo de poder, abrindo mão de outro. James Bond é uma femme fatale do sexo masculino – também conhecido como um garanhão – que deixa as mulheres aos seus pés, mas nunca há qualquer dúvida de que ele consegue realizar com excelência o seu trabalho profissional. Por que não há personagens femininas como este? A noção verdadeiramente feminista, agora eu acho, é a utilização de todas as vantagens que você tem.

Texto traduzido da revista Elle americana de novembro de 2015,
originalmente escrito por Amanda Fortini.

 

Os sapatos jeans da Rihanna para Manolo Blahnik

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Lembram desse post que eu falei sobre a paixão antiga da Rihanna pela sandália Chaos do Manolo Blahnik? A novidade agora é que ela foi convidada pelo estilista para criar a sua própria coleção. Imagino a felicidade que deve ter sido receber essa proposta, já que ela é realmente fã.

“O dia que eu ver uma mulher na rua usando os meus sapatos… Tenho pena dela, pq vou literalmente correr atrás dela gritando: ‘Pare! Selfie! Quem é você? Onde você comprou eles?’. Vou ter um momento!” – Rihanna

A coleção se chama “Denim Desserts” e nos traz 6 sapatos feitos de jeans, tendência que já prometia um retorno há algum tempo. Confesso que não curti muito pelo fato de ter enfeites tipo paetês e miçangas, se fosse apenas jeans cru eu teria amado. Até poderia ter detalhes desfiados, alguns alfinetes de segurança ou tachas, para dar uma carinha mais “punk” – como era moda no final dos anos 1990 e começo de 2000. Mas a inspiração dessa vez foi as cowgirls.

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Os preços variam de 895 dólares (3.300 reais) até 3.995 dólares (14.700 reais) – esse último provavelmente seja a bota cuissarde. Vale por ser uma coleção cápsula especial e exclusiva, já que será vendida em maio apenas nas boutiques da marca em Nova York, Hong Kong e Londres. Também tem o fator de colecionador, por ser algo da RiRi, os fãs fieis vão comprar e esgotar o estoque rapidinho. Mas confesso que se eu visse esses sapatos em uma loja, passaria reto. #confissões

O que vocês acharam?

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Bota 9 to 5

“Essas botas são perigosas! Se você está tentando voltar para sua cama em casa, não use essas botas! Você será sequestrada com elas. Essas botas são um perigo!” – Rihanna

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Sandália Rih-vi’s
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Bota Dancehall Cowgirl
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Mule

P.S.: Eu tenho guardado até hoje o meu primeiro mule que, por sinal,  era todo de jeans tb e seguia a moda da época (começo dos anos 2000). Praticamente nunca usei ele, mas guardei como recordação. É um dos poucos que tenho inteiro até hoje e que as minhas amigas não destruíram na época que eu era boazinha e ainda emprestava minhas coisas.

P.S.2: Ainda acho o meu mule mais bonito do que esse. >_<

Música nova da Rihanna – Work

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Work, work, work, work, work, work!

Finalmente a Rihanna liberou o single e uma palhinha do que devemos esperar de seu novo álbum, ANTI. Preciso falar que é perfeito? ♥ Ainda tem a participação do Drake.

A batidinha tem um estilo que lembra videogames antigos, super viciante. Se não me falassem que era a RiRi cantando eu até poderia ter confundido com a Willow Smith, que sempre arrasa nessas músicas mais alternativas. Acredito que a intenção foi exatamente essa, seguir por uma caminho mais experimental, mas sem largar mão do pop. Tipo como o Justin Bieber fez com Sorrysó que Work é bem melhor!

 Ouça no Tidal e compre a música no iTunes.

Croquis do desfile da Victoria’s Secret 2015

Foram divulgados alguns croquis de looks que aparecerão nas passarelas do Victoria’s Secret Fashion Show 2015, que acontecerá no dia 10 de novembro em Nova York e celebrará o 20º ano do evento. Não tem nada de especial em nenhum deles, obviamente, já que os destaques serão apresentados apenas no desfile, mas já dá para matar um pouco da curiosidade.

Além das 10 novas Angels, o VSFS desse ano contará com as apresentação da Rihanna, Selena Gomez e The Weeknd.

The Portrait of an Angel

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O meu preferido dos três! Amei as botinhas com cap toe metálico e o look transparente repleto de cristais. ♥ Acho que esse look combina com a Sara Sampaio ou a Jac Jagaciak.

Ice Angel

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Gostei desse também por motivos de: BOTAS COM PELE (fake, obviamente)! O que seria dos desfiles da Victoria’s Secret sem uma boa pitada de breguice, né? ♥ Prevejo a Elsa Holsk ou Stella Maxwell usando esse look.

Fireworks

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Tá na cara que esse look vai ser usado pela nova Angel brasileira, Laís Ribeiro, e que foi inspirado no Brasil. Achei meio Globeleza demais para o meu gosto, mas vamos ver como será o contexto na passarela.

Qual o favorito de vocês?

A sandália que a Rihanna SEMPRE repete!

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Admiro muito quando uma celebridade tem personalidade o suficiente para repetir incansa-velmente uma peça que tanto ama, fica claro que aquilo é natural da pessoa e ela está usando por gosto mesmo. A Rihanna é dessas e repete SEMPRE esse mesmo modelo de sandália “Chaos” do Manolo Blahnik, mudando geralmente apenas a cor e o material – ela tem preta, nude, vermelha, metálica, de couro, camurça, envernizada, etc. De tanto usar, virou até referência de estilo para esse modelo de sandália de tiras.

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Essa não é uma sandália barata para os demais mortais, seu valor gira em torno de 725 dólares, mas serve de inspiração para diversas outras marcas mais acessíveis como Schutz, Santa Lolla, Lilly’s Closet, Asos e etc. Ou seja, dá para ficar igualmente estilosa gastando pouco, ainda mais que esse modelo é bem básico e simples.

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Por exibir bastante o pé, combina com quase todos os tipos de roupa e ainda dá uma alongada na silhueta, sem contar que é muito sexy. É um ótimo investimento ter um modelo similar no nosso armário. A Riri mostra perfeitamente o quão versátil esse modelo é, combinando em looks básicos com jeans, em tapetes vermelhos e até mesmo com meia! Dá só uma olhada:

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