Meus looks favoritos do MET Gala 2019

Não costumo falar de looks de red carpet, mas o do MET Gala é um dos poucos que acompanho e tenho curiosidade, já que funciona como uma espécie de mini desfile de moda, onde os designers apresentam suas obras de arte nos corpos das celebridades. Gosto mais ainda quando eles respeitam a personalidade e individualidade de cada um também. Por isso separei aqui os meus favoritos do ano, cujo tema foi Camp: Notes on Fashion.

O QUE É CAMP?

A palavra camp vem do verbo francês “se camper”, que pode ser traduzido por “fazer uma pose exagerada”, emergindo da opulência e decadência da corte francesa durante o reinado de Luís XIV. Sua essência está no amor pelo que não é natural, pelo artifício e pelo exagero. Graças à escritora e filósofa americana Susan Sontag, o camp virou símbolo de uma atitude mais liberal em relação a sexualidade, política e sociedade nos anos 60. [fonte: FFW]

Apesar de eu amar minimalismo, gosto de muitos aspectos da moda camp também, pois adoro tudo que afronta a sociedade, desde que tenha embasamento. As minhas escolhas dos favoritos do MET foram baseadas nos meus gostos pessoais, no que eu usaria ou admiro, não levei em consideração termos técnicos.

Hailey Bieber usou o meu look favorito da noite, bem Barbiezinha! Usaria igualzinho sem pensar duas vezes, amei a cor, o minimalismo, o penteado e até a maquiagem. Poderia ser apenas um vestido bonitinho e sem graça, mas o detalhe do fio dental atrás deu toda a graça ao estilo camp. Uma sátira discreta para quem quer ser bonita, clássica e ao mesmo tempo sexy. O que é mais moda hoje em dia do que idolatrar bundas, não é mesmo? Criação do Alexander Wang.

Kim rainha, o resto nadinha! Eu amei o look dela, que foi inspirado na cena clássica de cinema onde a Sophia Loren aparece com um vestido molhado no filme “Boy On a Dolphin”. Os detalhes criados por ninguém menos do que Thierry Mugler, são absurdamente incríveis! As gotinhas de cristal e o tecido de vinil muito bem trabalhados ficaram perfeitos, parecendo que estava molhado e caindo pingos de água. Sério, não há outra palavra para expressar melhor do que perfeição! Sem contar que fez alusão a própria capa da Kim Kardashian na revista Vogue, lançada recentemente. INCRÍVEL! Já quero copiar pra ontem.

Já que estamos falando de Barbie, que tal o look da Kacey Musgraves? Só podia ser Moschino, é claro! Já falei sobre essa coleção inspirada na Barbie por aqui e quando soube do tema do MET, logo associei com uma das coleções mais camp já feitas. Eu certamente optaria por seguir essa temática, ou então algo futurístico retrô, inspirado nos sci-fi dos anos 60, tipo Barbarella. P.S.: Amei a bolsinha de secador de cabelo!

Inspirada em vários looks da Cher, a modelo Emily Ratajkowski também estava estupidamente deslumbrante! O estilista Peter Dundas foi o responsável pela criação, o que me faz imaginar que o vestido pode ter sido criado pensando na Kim Kardashian, que é musa do estilista e fã assumidíssima da Cher. Mas de uma coisa eu tenho certeza, a Emily arrasou!

DEUSA! Tem algo que a Naomi Campbell use e não fique bem? Essa mulher não é humana! Eu AMO essa cor de rosa em tecidos esvoaçantes – tenho uma blusa assim -, acho que fica delicado e girlie ao mesmo tempo. O look é todo Valentino Haute Couture. E o sapato dela?? É MUITO semelhante com a sandália Bella, que tem na minha lojinha, a Got Sin? Store! (Aproveitem para se inscrever no sorteio que está rolando lá no Instagram da @GihGavazzi)

O que falar desse look da Riley Keough que eu nem conheço e já considero pacas? É Louis Vuitton, mas poderia ser figurino digno de algum filme do começo do século passado, no melhor estilo de “Metrópolis“. Senti uma vibe “História Sem Fim” também. Só sei que amei os traços art déco e art nouveau misturados.

É claro que a rainha de Bollywood, Deepika Padukone, merecia um vestido dignamente dramático. Zac Posen precisou de ajuda de engenheiros para esculpir em 3D as 400 peças que foram bordadas no vestido. Uma Barbie Princesa, né?

Madelaine Petsch toda etérea em um look fadinha do Jean Paul Gaultier. Amei tudo! Essas estruturas nas roupas femininas são a cara do estilista, que sempre conseguiu transpor a sensualidade feminina mesmo com peças conceituais. Seguiu o tema direitinho e combinou com toda a delicadeza da atriz de Riverdale.

Ashley Graham tá bem musa do Instagram. Com look todo Gucci, presilhas escritas, cheia de logos e tudo o que uma boa influenciadora de moda ostentação mais ama. Gostei.

Falando em pessoa que curte extravagância, temos a Celine Dion, que fez sua estreia no tapete do MET Gala com o pé direito. Eu amo como ela se diverte com a moda e não tem medo de arriscar. Achei esse look digno da rainha de Vegas que ela é, criado por Oscar de la Renta.

Temos também a Thalia com um look bem Jetsons, digníssimo dos sci-fi dos anos 60 que eu tanto amo. Achei Barbie Retrofuturista! Criação de Tommy Hilfiger.

LOOKS MASCULINOS

Começando pelo melhor de todos: Ezra Miller, usando um look andrógino Burberry by Riccardo Tisci! Vários olhos maquiados no rosto, uma capa longa, máscara e pedrarias nos sapatos e corset, ele foi destaque supremo! Uma salva de palmas para ele.

Outro que arrasou demais foi o Michael Urie, com um look do Christian Siriano que representava 2 metades: meio vestido feminino todo cheio de tules com coturno; e outra metade de terno com salto alto! Ideia brilhante e com certeza um dos melhores da noite.

E a genialidade do look do Jordan Ruth? Tô de queixo caído! Ele é dono de vários teatros da Broadway e queria algo que representasse essa sua paixão, foi de Iris Van Herpen customizado exclusivamente para ele em formato de nada menos do que um TEATRO! Sim, com direito a cortinas cerradas quando fechado e tudo. Ele contou que “queria um look performático sobre performances”. Conseguiu!

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Meninos vestem azul e meninas vestem rosa? Desde quando?

Hoje viralizou um vídeo onde nossa ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos fala que “meninos vestem azul e meninas vestem rosa” nessa nova era do governo. Mas será que as pessoas realmente sabem a origem da simbologia de cores ligados ao sexo? Por que meninos usam azul e meninas usam rosa? É para isso que a história da moda existe e irei explicar de maneira didática e simples.

Segundo o livro “The Story of Colour: An Exploration of the Hidden Messages of the Spectrum” do Gavin Evans, onde ele fala sobre a cultura das cores, entre o final do século XIX e início do século XX as mães costumavam ouvir que se elas queriam que seus filhos crescessem másculos, era necessário vestí-los de cores masculinas, como o rosa e se quisessem que as meninas crescessem bem femininas, teriam que vestí-las de azul. Sim, ao contrário mesmo! A origem disso vem da Europa, onde a cor azul era associada com o feminino por conta do manto da Virgem Maria, uma cor serena que transmitia calma e ternura. Já o rosa era uma versão para os meninos da masculina cor vermelha, que era uma cor quente, viríl, representava lutas e guerras e também a cor do manto de Jesus Cristo.

Gradualmente isso foi mudando pela metade do século XX, mais precisamente no pós-guerra, pela década de 1950, onde havia fortes propagandas criadas pelas agências de publicidade que induziam as pessoas a aceitarem o rosa como uma cor exclusivamente feminina, o que fez com que a mudança fosse aceita muito rapidamente.

Vale constar também que antes de tudo isso, todos os bebês usavam roupas brancas, pois era muito mais fácil de limpar e não desbotavam com o uso de produtos de limpeza fortes que serviam para tirar manchas, além de poderem ser repassados para todos os filhos da família. O detalhe é que na época do branco, independente de gênero, todas as crianças usavam vestidos por serem mais práticos também. Os meninos começavam a usar calças apenas depois do primeiro corte de cabelo ou ainda mais adiante.

Assistam o vídeo abaixo para uma versão bem completinha e resumida sobre o assunto (é em inglês, mas basta ativar as legendas com tradução automática):

 

Sei que a intenção da ministra não foi uma mera trivialidade sobre moda, também não há nada de ingênuo em uma afirmação colérica assim, apenas expõe a homofobia que permeia a mente de milhões de brasileiros. Estamos em 2019, já vivemos quase 2 décadas de um novo século, mas as palavras e pensamentos que imperam no Brasil nos últimos tempos parecem advindas de outrora, de tempos sombrios. Nossa Idade Média já chegou e as piras estão sendo preparadas para arder em chamas quem eles julgarem como bruxas.

Desejaria começar o ano otimista, mas está difícil, a ignorância se fortalece a cada dia. Os preconceituosos haviam sido marginalizados mas agora lutam para voltar ao topo e tentam resgatar a única forma de sentirem um gostinho de superioridade depois de se constatarem inferiorizados com o avanço da igualdade social que as minorias estavam conquistando. As pequenas bolhas do WhatsApp e Facebook são os novos “guetos” modernos. Um grito que foi ouvido pelos evangélicos, que estão sempre prontos para socorrer coitadinhos (desde que passem pela triagem de “cidadão de bem”, é claro). Os que faziam vítimas agora viraram as próprias vítimas e buscam suas salvações em um milagre divino chamado… vocês sabem quem.

Busquem conhecimento, pois só isso é capaz de nos salvar dessa lavagem cerebral.

Aproveito para deixar aqui alguns links que complementam o assunto: