Eu quero começar uma revolução!

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Eu sou uma mulher
Eu sou loira
Eu tenho peitos e bunda
E um desejo insaciável de chamar atenção

Vem aqui baby, me mostre a sua bunda
Mexe pra gente, baby
Faça aquela dança que você faz tão bem pra gente, baby

Ok, mas eu ainda quero começar uma revolução
Alguém precisa fazer isso.

Há tanta beleza no mundo sendo desperdiçada
Tanto talento que não é notado
Tanta criatividade sendo esmagada pelas rodas das grandes empresas
Mas está na hora de acordar!

Eu olhei nos olhos das pessoas e vi falta de amparo
Eu vi falta de esperança
Eu vi seres humanos procurando por uma saída
Pois, quando os homens daqueles ditadores fascistas
Vierem atrás de você com suas grandes botas de couro
Pra te calar e colocar uma mordaça em sua boca
Você deve estar preparado para lutar por aquilo em que acredita!
É melhor você se preparar para morrer pelo que acredita.

Eu quero começar uma revolução!
Vocês estão do meu lado?

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Esse backdrop é usado na abertura da turnê Rebel Heart da Madonna, e o texto maravilhoso faz parte do seu manifesto, Secret Project, lançado em 2013 para alertar as pessoas sobre a perda da liberdade de expressão, a intolerância, a complacência, ajudar a combater a opressão e para lutarem pelo que acreditam.

O vídeo mostra ela como uma artista que é constantemente agredida e mal interpretada, onde tentam usar a sua arma de empoderamento (a voz feminina e a liberdade do corpo da mulher) contra ela mesma, tentando a objetificar. No meio de tudo isso, tem a participação do Mike Tyson, dando alusão a luta contra os julgamentos. Ela mostra também que começou a sua carreira como mero símbolo sexual, vestida de Marilyn Monroe, mas que também é uma guerreira como a Joana d’Arc e vai lutar até o fim pelo o que acredita, começando uma revolução.

Dá para ser mais perfeita do que isso? Me representa totalmente! Uma das poucas artistas pop da atualidade que metem o dedo na ferida e usam sua fama, poder e status para fazer seus fãs pensarem, buscando autenticidade e seus direitos acima de tudo. Impossível não assistir essas reflexões (que ela transforma em vídeos de cair o queixo) e não se sentir empoderado. Rainha que compartilha a coroa com os fãs.

 

 

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A polêmica do shorts na escola

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Algumas alunas do Colégio Anchieta de Porto Alegre resolveram protestar contra a proibição de shorts na escola. O motivo principal dessa revolta não foi pelo short em si, mas pela justificativa utilizada pela direção, que baniu a vestimenta para que os meninos não se distraiam.

NÃO É SÓ PELO SHORTINHO!

É sempre esse mesmo argumento. Ouvi isso em 2003, quando era impedida de frequentar a aula por estar usando camiseta baby look no colégio onde eu cursava o Ensino Médio. Em 2009 atacaram animalescamente a Geisy Arruda na faculdade. Essa atitude se repete há anos com diversas outras meninas e instituições de ensino.

“Quando você interrompe a aula de uma menina para forçá-la a mudar de roupa ou mandá-la pra casa por que o short dela é “muito curto”, você está dizendo que garantir que os meninos tenham um ambiente de aprendizagem livre de “distrações” é mais importante do que garantir a educação dela. Ao invés de humilhar meninas pelos seus corpos, ensinem os meninos que elas não são objetos sexuais.”

O parágrafo anterior foi retirado do abaixo-assinado que as meninas do Colégio Anchieta escreveram e não poderia expressar melhor a real questão de toda essa história de “roupa curta”. Alegar que as mulheres se vestem com intenção de chamar atenção dos homens é incentivar a cultura do estupro.

Os homens precisam ser educados para que entendam que as mulheres não usam shorts, blusas, saias, ou o que seja, com a intenção de CHAMAR ATENÇÃO DELES! Nós não existimos apenas para os satisfazer sexualmente. Não somos objetos. Não estamos disputando com outras mulheres a sua atenção. Só queremos liberdade para nos vestirmos sem que isso seja confundido com algo sexual. Não é.

“Ao invés de humilhar meninas por usar shorts em climas quentes, ensine estudantes e professores homens a não sexualizar partes normais do corpo feminino. Nós somos adolescentes de 13-17 anos de idade. Se você está sexualizando o nosso corpo, você é o problema.”

Graças a esse tipo de educação que aprendemos nas escolas, as mulheres acabam se tornando vítimas no cotidiano, as culpadas por sofrerem assédio. Torna-se certo e normal serem cantadas na rua pq não foi ensinado para os homens que eles devem respeitá-las. 

“Regras de vestuário reforçam a ideia de que meninas tem que “se cobrir” porque garotos serão garotos; reforçam a ideia de que assediar é da natureza do homem e que é responsabilidade das mulheres evitar esse tipo de humilhação; reforçam a ideia de que as roupas de uma mulher definem seu respeito próprio e seu valor.”

Me entristece saber que os conservadores não estão interessados em ler e entender o lado das mulheres. Já chegam com pedras na mão e acusam as meninas que lutam por essa liberdade e um mundo mais seguro, com argumentos do tipo: “Elas querem aparecer!”, “São mimadas e patricinhas!”, “Não sabem respeitar as regras.”, “Tem lugar certo para usar cada tipo de roupa”, “Agora vão querer usar biquíni para trabalhar!”, “É rebeldia de jovens.”, “Uma coisa tão sem importância no meio de uma crise.”, “Isso é falta de laço!” e etc.

Percebam que a maioria acha certo agredir e errado usar uma peça de roupa.

Compreendo que há algumas pessoas religiosas que possuem medo de contrariar os seus padres e pastores, mas pessoas que pensam assim por bel-prazer não faz nem sentido. A questão não é ser do contra para ser legal, a questão é que o seu machismo me afeta, pois sou mulher. Também afeta a sua mãe, sua irmã e sua avó. Inclusive afeta a ti mesmo, machista inconformado. Não é seguro para as mulheres andarem na rua sem sofrerem assédio. Não importa o quão bonita somos, o quão jovem ou velha, o quão bem vestida ou não, o quão gorda ou magra e muito menos o comprimento da nossa roupa, pois a única coisa que falta é o respeito por parte dos homens, que nunca foram ensinados na escola e muito menos em casa.

“Ao invés de ensinar que a minha decência e o meu valor dependem do comprimento do meu short ou do tamanho do meu decote, ensine aos homens que eu sou a única responsável pela definição da minha decência e do meu valor. Ensine aos homens o respeito, desconstrua o pensamento de que a roupa de uma mulher decreta se ela é ou não merecedora de respeito.”

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Eu, juntamente com as alunas do Colégio Anchieta, recuso a obedecer as regras que reforçam e perpetuam o machismo, a cultura do estupro e slut shaming.

Ajude assinando o abaixo-assinado delas também!