Versace homenageia o The Prodigy

Meu desfile favorito é sempre o da Versace! Na temporada de Menswear da primavera 2020, o vocalista do The Prodigy, Keith Flint, foi homenageado juntamente com o pós-punk. O resultado foram looks casuais fáceis de ser inseridos no cotidiano de homens e mulheres, mas ao mesmo tempo puxando alguns limites – afinal, estamos falando de um movimento musical que não curte seguir padrões. Numa trajetória que vai dos anos 70 aos anos 90, podemos ver looks de oncinha, muito couro, franjas, vinil e estampas para todos os gêneros. É a demonstração mais literal do termo “punk de boutique“.

Separei aqui os meus favoritos:

ALFAIATARIA EM COURO

Dá para ser chique e punk no mundo da Versace e eu amei a ideia! Trench coat e blazer de couro é a união de dois opostos que funcionam bem no inverno de quem mora em locais frios e chuvosos mas não gostam de perder a elegância no trabalho. A camisa azul com gravata preta me lembrou bastante a icônica roupa que a Britney Spears usou no vídeo de Me Against The Music, então é claro que adorei ver a Gigi Hadid desfilando uma versão semelhante. Vocês perceberam que o cinto subiu novamente e agora marca a cintura no que seria um cós bem alto? Vale a pena ficar de olho.

JAQUETA DE MOTOQUEIRO

O símbolo da rebeldia! Como eu amo esse modelo de jaqueta perfecto. Agora ela aparece com franjas, combinando com botinhas para as mulheres ou tênis e gravata para os homens. O mix de estilos continua.

BLAZER DE ONCINHA

Os casacos de pele fake de oncinha continuam em alta e agora chegam na versão blazer também, tanto para homens quanto para mulheres. A combinação é um pouco mais ousada, misturando peças de vinil preto e camisa com gravata.

BRILHO + BARRIGA DE FORA

Vocês já estão cansados de ver eu falando há anos que amo barriga de fora, né? Mas adorei a proposta da Versace, com um blazer por cima para balancear. Para os homens a opção é ousar na transparência do tecido para deixar o tanquinho de fora.

FALANDO DE ONCINHA…

A coleção está recheadíssima de peças com estampa de oncinha! Se você é como eu e também ama, pode se jogar pq eles apostam no hit até para os homens.

OS OPOSTOS SE ATRAEM

Não sabe escolher entre o pretinho clássico e o xadrez príncipe de gales? Usa os dois e ainda mistura com couro! Mais uma vez mostrando que alfaiataria não precisa ser sem graça.

MINIVESTIDOS

A coleção trouxe peças sexy, como comprimentos mini, couro e oncinha. Lembram que já expliquei porque as mulheres punks se vestiam assim por causa das strippers, pois ambas eram marginalizadas pela sociedade? (leia mais em: Punks e Strippers pela Moda!) Por isso é importante conhecer história da moda, pois é como a autoanálise na psicologia, descobrimos que tudo tem um motivo por trás. Acho fascinante ter maturidade o suficiente para entender a origem das coisas.

ESTAMPA VERSACE

A clássica estampa da Versace trouxe o motivo barroco em tons bem coloridos, quase neon, fazendo lembrar as raves dos anos 90. É um exagero que combina muito com a moda brasileira, que já está lotada de camisas estampadas, principalmente no setor masculino.

CABELO COLORIDO

Para os homens, o cabelo colorido – símbolo do vocalista do Prodigy – foi o destaque. Uma homenagem ao punk e a modernidade. Vale usar todas as cores, do amarelo ao azul, verde, rosa e vermelho. Escolha a sua favorita e seja feliz.

 

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Meninos vestem azul e meninas vestem rosa? Desde quando?

Hoje viralizou um vídeo onde nossa ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos fala que “meninos vestem azul e meninas vestem rosa” nessa nova era do governo. Mas será que as pessoas realmente sabem a origem da simbologia de cores ligados ao sexo? Por que meninos usam azul e meninas usam rosa? É para isso que a história da moda existe e irei explicar de maneira didática e simples.

Segundo o livro “The Story of Colour: An Exploration of the Hidden Messages of the Spectrum” do Gavin Evans, onde ele fala sobre a cultura das cores, entre o final do século XIX e início do século XX as mães costumavam ouvir que se elas queriam que seus filhos crescessem másculos, era necessário vestí-los de cores masculinas, como o rosa e se quisessem que as meninas crescessem bem femininas, teriam que vestí-las de azul. Sim, ao contrário mesmo! A origem disso vem da Europa, onde a cor azul era associada com o feminino por conta do manto da Virgem Maria, uma cor serena que transmitia calma e ternura. Já o rosa era uma versão para os meninos da masculina cor vermelha, que era uma cor quente, viríl, representava lutas e guerras e também a cor do manto de Jesus Cristo.

Gradualmente isso foi mudando pela metade do século XX, mais precisamente no pós-guerra, pela década de 1950, onde havia fortes propagandas criadas pelas agências de publicidade que induziam as pessoas a aceitarem o rosa como uma cor exclusivamente feminina, o que fez com que a mudança fosse aceita muito rapidamente.

Vale constar também que antes de tudo isso, todos os bebês usavam roupas brancas, pois era muito mais fácil de limpar e não desbotavam com o uso de produtos de limpeza fortes que serviam para tirar manchas, além de poderem ser repassados para todos os filhos da família. O detalhe é que na época do branco, independente de gênero, todas as crianças usavam vestidos por serem mais práticos também. Os meninos começavam a usar calças apenas depois do primeiro corte de cabelo ou ainda mais adiante.

Assistam o vídeo abaixo para uma versão bem completinha e resumida sobre o assunto (é em inglês, mas basta ativar as legendas com tradução automática):

 

Sei que a intenção da ministra não foi uma mera trivialidade sobre moda, também não há nada de ingênuo em uma afirmação colérica assim, apenas expõe a homofobia que permeia a mente de milhões de brasileiros. Estamos em 2019, já vivemos quase 2 décadas de um novo século, mas as palavras e pensamentos que imperam no Brasil nos últimos tempos parecem advindas de outrora, de tempos sombrios. Nossa Idade Média já chegou e as piras estão sendo preparadas para arder em chamas quem eles julgarem como bruxas.

Desejaria começar o ano otimista, mas está difícil, a ignorância se fortalece a cada dia. Os preconceituosos haviam sido marginalizados mas agora lutam para voltar ao topo e tentam resgatar a única forma de sentirem um gostinho de superioridade depois de se constatarem inferiorizados com o avanço da igualdade social que as minorias estavam conquistando. As pequenas bolhas do WhatsApp e Facebook são os novos “guetos” modernos. Um grito que foi ouvido pelos evangélicos, que estão sempre prontos para socorrer coitadinhos (desde que passem pela triagem de “cidadão de bem”, é claro). Os que faziam vítimas agora viraram as próprias vítimas e buscam suas salvações em um milagre divino chamado… vocês sabem quem.

Busquem conhecimento, pois só isso é capaz de nos salvar dessa lavagem cerebral.

Aproveito para deixar aqui alguns links que complementam o assunto: