Solange Knowles fala sobre estilo x moda

Se tem alguém que o estilo é completamente diferente, original e próprio, essa é Solange Knowlesirmã mais nova da Beyoncé. Ano passado ela lançou seu álbum “A Seat at the Table“, um projeto passional que demorou 8 anos para ficar pronto. Mas a espera valeu a pena e desde então, a cantora e compositora vem colhendo os frutos do seu trabalho, incluindo um Grammy nessa trajetória.

Durante o festival Coachella, conversou com a jornalista Kimberly Drew sobre seu processo criativo como artista e como o seu estilo pessoal afeta todos seus projetos.

“É a maneira que nos comunicamos com as pessoas antes mesmo de abrirmos nossas bocas e falarmos uma palavra”, disse sobre estilo. “E quero dizer isso sobre nossas roupas, sobre o jeito que decoramos as nossas casas, sobre a maneira que conversamos, caminhamos e expressamos nós mesmos”.

Desde que começou a trabalhar no seu álbum, ela admitiu que seu estilo evoluiu em uma fase mais minimalista, lembrando New Orleans, que foi onde ela passou a maior parte do tempo de criação e teve uma grande influência. “Lá as pessoas são 100% diferentonas. Quando se apaixonam por veludo, por exemplo, começam a usar aquilo dos pés à cabeça, todos os dias, mesmo que esteja fazendo 100 graus! Não importa o tipo de estilo, eles se jogam naquilo em todas as facetas e isso me deu tipo uma coragem para me expressar também.”

Sobre a diferença entre Moda e Estilo

“Eu costumava ter interesse em moda há anos e cada vez mais eu fui sendo atraída por esse mundo. Isso acabou me motivando ainda mais a escrever esse álbum. Mas eu senti que talvez estivesse focando minhas intenções na moda e não muito em estilo. E uma vez que percebi isso, decidi que deveria mudar e fazer as coisas por mim. Meu estilo evoluiu e mudou muito nos últimos 10 anos e acho que essa é uma das coisas mais divertidas em ser mulher, poder experimentar, curtir, ser leve e expressar quem você é através disso tudo.

Há uma diferença enorme entre moda e estilo! Uma vez eu tive um stylist que não podia acreditar que eu queria usar essas marcas que eu encontrava no Instagram ou coisas aleatórias, enquanto a Dior e todas as marcas importantes falavam: ‘Nós vamos te vestir! Nós criamos algo para você!’ Isso era uma grande honra e super lisonjeiro, mas tem um tempo e lugar certo para cada coisa. Me sinto muito mais feliz depois que cheguei em um estágio que penso: ‘São apenas roupas!’.”

Sobre seus ícones de estilo e sua fase pré-adolescente gótica

“Meus ícones musicais e de estilo são bem parecidos: Kate Bush, Bjork, Erykah Badu, Lauryn Hill. Kelis foi uma grande influência para mim enquanto eu crescia ‘estilisticamente’. Minha mãe, honestamente. Ela é o que eu penso quando imagino um clássico. Você pode olhar para qualquer foto dela dos anos 80 e ficar tipo: ‘Deusdocéu, Mãe! Pisa menos na gente!‘ Acho que escolhi meus ícones de estilo ainda quando era bem novinha. Eu estava olhando umas fotos minhas,  publiquei uma delas no Instagram de quando eu tinha 12 anos e estava toda de preto (até o batom) e com botas de cowboy. Tinha muita coisa acontecendo ali. Aliás, uma das meninas da minha banda, Franchelle Lucas, foi minha colega no primeiro ano do ensino médio e decidimos ser góticas por tipo um mês. Uma professora chamou ela para conversar e disse: ‘Garotas negras não devem usar todas essas merdas pretas. Você precisa desistir de usar essas coisas!’ E, é claro, isso fez com que a gente fosse ainda mais fundo! Mas criou esse molde onde, ainda bem nova, eu falava: ‘Eu sou meu ícone de estilo!’, e eu parecia uma bagunça na maior parte do tempo e não funcionou como o planejado.”

SOBRE A ABORDAGEM DE ESTILO NAS SUAS APRESENTAÇÕES

“Desde que este disco saiu, foi muito importante que eu realmente me comunicasse através de todas as facetas da imagem e arte que estão associados a ele. Como eu tenho focado em uma maneira mais clara e direta, isso evoluiu para o estilo das minhas apresentações também, que ficaram muito mais atenuadas, minimalistas e diretas, me comunicando através da moda e estilo. Recentemente, me apresentei usando apenas uma blusa de gola alta e uma calça simples plissada. Pesquisei muito sobre figurinistas de dança moderna – Trisha Brown, Martha Graham, Bill T. Jones – e fiquei muito inspirada para escolher cores fortes e deixar as silhuetas serem as melhores possíveis para os movimentos e como o seu corpo parece enquanto faz esses movimentos. Tem sido realmente interessante, porque no passado, era sobre criar o momento mais único, expressivo e avant-garde no palco. Agora que incorporei muita dança no meu show, essas silhuetas não dançam tão bem. Na verdade, tenho admirado uma paleta de cores mais limitada na hora de fazer minhas escolhas.”

 

Sobre O “ESTILO DE FESTIVAL” e como fazer o oposto

“Eu tenho usado o mesmo estilo há, no mínimo, três Coachellas, então eu honestamente fico um pouco confusa com o termo ‘estilo de festival‘ porque acho que você deve estar confortável, se sentir autêntico sobre quem você é e estar em um espaço em que pode ser capaz de aproveitar a música da melhor maneira possível. Se você precisa focar demais suas intenções em estilo, então acho que você meio que se perdeu nessa história e não vai aproveitar o que realmente importa nessa experiência. Então eu diria: use o que te faz sentir 100% você mesmo e leve isso para o festival também.

SOBRE SUA PEÇA FAVORITA que virou uniforme

“Nos últimos anos, eu fiquei muito tempo enfiada dentro de estúdios. Sério, por quase 4 anos, ir para o estúdio de gravação, se vestir para o trabalho e criar foi certamente diferente de morar em Nova York e sair pelo mundo todos os dias tendo certeza de que vocês estava impecável. Acho que houve um senso de conforto que veio com isso e se incorporou no meu estilo. Eu tenho um uniforme agora. Quando viajo e estou na estrada fazendo turnês, levo comigo 3 modelos de macacões em 2 cores diferentes cada (6 ao total) feitos por um designer chamado Black Crane. Eu uso eles todo o tempo! E estou na estrada diariamente. Sei que as pessoas pensam que eu não lavo minhas roupas somente porque eu reuso e reciclo elas sempre, mas não me preocupo.

*Matéria traduzida da original

Anúncios

Especial Dia da Mulher 💋

Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, separei alguns links interessantes:

  • A verdadeira história do dia 8 de Março – link
  • Dia da Mulher: talvez a gente não queira comemorar tanto assim – link
  • Desabafo sobre estupro, assédio e violência contra a mulher – link
  • Hedy Lamarr, a diva cientista – link
  • A femme fatale e o feminismo – link
  • Agatha Christie, a rainha do crime e escritora mais bem sucedida – link
  • Não tenha medo de ser poderosa – link
  • 9 coisas que homens ainda não entendem sobre o medo de ser mulher – link
  • Eu não sou mulher para casar – link
  • Emma Watson, feminismo e a repressão sexual da mulher – link
  • O que é gaslighting, mansplaning, manterrupting e bropriation? – link
  • Vamos elogiar mais? – link
  • Não tenha medo, faça-se ouvir – link
  • O girl power da Dior com a Maria Grazia Chiuri – link
  • Eu quero começar uma revolução! – link
  • Barbarella, a heroína que lutou pela liberdade sexual – link
  • O discurso da Madonna que todos deveriam ouvir – link
  • 14 histórias absurdas de mansplaning – link
  • O rolê da baixa autoestima – link
  • Oops, i’m not the one with a problem! – link