Paris Hilton e as tendências dos anos 2000

Eu vivi a minha adolescência nos anos 2000, então a minha personalidade sofreu uma grande influência da Paris Hilton. Ela representava o que todas as meninas que amavam moda queriam ser/ter na época, tipo como a Kim Kardashian faz hoje em dia. Além de ter um dos melhores reality shows de todos os tempos, o The Simple Life, com a presença ilustre de sua bff, Nicole Richie! Ainda era melhor amiga de ninguém menos do que a outra deusa do milênio, Britney Spears! É para louvar de joelhos uma pessoa com esse poder.

Impossível falar em estilo do começo do milênio sem lembrar da Paris, a rainha das patricinhas! A influência dela foi tanta que até hoje vemos peças inspiradas nos seus looks favoritos, ainda mais que a moda está focada no revival dos anos 2000. Ela reformulou até o conceito de patricinha, deixando aquele clássico sem graça e perfeitinho – tipo a Cher de Clueless – dos anos 90 para trás, mostrando que no ano zero as mulheres podiam ser livres, sexy, cair na balada e falar palavrão (bitches!) com uma boa dose de atitude. Muito mais do que um ícone fashion, ela criou um lifestyle. Precedeu o padrão de “influenciadora” muito antes de sonharmos que existiria essa profissão no futuro – blogueiras, youtubers, instagrammers. Ela é, literalmente, um personagem de si mesma.

Embaixo de todas as coisas “hot”, divertidas e fofas, ela tinha como assinatura uma atitude autêntica que mostrava não se importar em exibir seus privilégios, feminilidade e sexualidade. A Paris sempre demonstrou seu extremo amor por si própria, sem vergonha alguma de aceitar essas facetas de sua personalidade, que poderiam muito bem ser consideradas uma piada por conta dos exageros caricatos. Diferente de como vivemos em 2017, em um mundo altamente calculado e cheio de filtros para impressionarmos desconhecidos, a franqueza da Paris parece um tanto quanto inspiradora.

O cafona de hoje é a tendência de amanhã!
Obrigada, Paris, por tudo o que você fez por nós:

CONJUNTO DE VELUDO

Impossível não lembrar da Paris Hilton quando se fala em conjuntos de veludo – eu amo! São fofos e super confortáveis. A dica da Paris é sempre usá-los em cores vibrantes para que não confundam com roupas de academia de verdade – ew!

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CAMISETA COM FRASE

Eu já tinha falado por aqui que as camisetas com frase voltaram. Segundo a Paris, é a maneira mais fácil de contar ao mundo sobre os seus mais profundos pensamentos.

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MINISSAIA CINTO

Esse lema eu carrego comigo desde os anos 2000 e jamais abandonarei: as minissaias precisam ter o mesmo tamanho de um cinto. A vida é curta, devemos nos arriscar.

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UGGS

A botinha mais confortável e quentinha de todos os tempos! Mas tô com a Paris nessa opinião, acho que elas servem perfeitamente bem como pantufas para usar em casa. Sempre use salto!

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ROSA

Todo mundo concorda que ela INVENTOU o millennial pink, né? Ok! Prossigamos.
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SMARTPHONES

Blackberries, Razrs e V3… Se você é novinho, provavelmente nem imagina o que sejam essas coisas, mas na minha época, eles eram o holly grail da modernidade e fazíamos de tudo para ganhar um – na cor rosa ou customizados com strass, de preferência. Iphone who? A Paris recomenda que tenhamos sempre, no mínimo, 3 smartphones, mas ela mesma tem 5!

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COROA

Podem me julgar, mas em 2003 eu usava coroas em todas as oportunidades possíveis, inclusive no meu aniversário de 15 anos! “Sempre se vista como uma princesa, pois assim todos te tratarão como uma.”

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BFF

Hoje as pessoas chamam de “squad”, mas na nossa época era BFF (melhor amigo para sempre) mesmo. Segundo a Paris, eles são os nossos melhores acessórios!

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STRASS

Não existe essa coisa de “muito strass”, porque é hot brilhar o máximo que você puder.

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BONÉ TRUCKER

Bonés do tipo trucker são lindos! Apesar da Paris não gostar mais dos da marca Von Dutch, na época a gente daria um rim em troca de um – literalmente, pois eles custavam um pouco mais do que isso.

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PIERCING NO UMBIGO

Essa moda se popularizou por causa da Britney Spears e era tão comum que a gente até se surpreendia quando conhecia alguma menina que não tinha piercing no umbigo – era mais fácil achar um unicórnio! Eu me arrependi profundamente de ter furado o meu. Não que eu não tenha aproveitado e feito muito sucesso com ele, mas a minha personalidade atual não condiz com piercings e tatuagens no meu corpo.

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JEANS DE CÓS BAIXO

Paris foi bem “humildona” nessa escolha de jeans, pq na época a gente usava o cós tão baixo que dava para ver até as entradinhas da barriga, tb inspiradas pela Britney Spears – a inventora da tendência. Algumas meninas usavam calcinha fio-dental com as laterais aparecendo ou marquinhas de biquíni – horrível! (Ainda bem que eu nunca fiz isso pq sempre achei coisa de “Gretchen”!)

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DIVIRTA-SE SEMPRE

Como falei nos primeiros parágrafos de introdução desse post: as meninas dos anos 2000 estavam sempre prontas para se divertir! A dica da Paris é: “Se você não está se divertindo, vá embora!”

O mundo dá volta, queridinhas!
Assista o vídeo completo da W Magazine aqui.

That’s Hot! 💋

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O que é Doença Celíaca?

Maio é o mês de Conscientização da Doença Celíaca, por isso farei uma série de posts sobre o assunto, com bastante dicas para os celíacos (como eu) e muitas informações para aqueles que nunca ouviram falar dessa doença, facilitando assim o nosso convívio.

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O que é a Doença Celíaca?

A doença celíaca é a intolerância ao glúten. Uma condição crônica, autoimune que afeta apenas pessoas geneticamente predispostas. É caracterizada pela inflamação da mucosa do intestino delgado, podendo resultar na atrofia das vilosidades intestinais, com conseqüente má absorção dos alimentos.

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Quais os sintomas?

Os sintomas nos celíacos são super variados e dependerá de cada organismo. Os mais comuns são os gastrintestinais, mas mesmo quando eles não estão presentes, podem causar problemas em outros sistemas do nosso corpo, já que o contato com o glúten é extremamente inflamatório, deixando o sistema imunológico sempre em alerta, atacando a si mesmo. Essas inflamações nem sempre são perceptíveis e muitas vezes o doente não associa elas com a doença celíaca, fazendo com que o diagnóstico seja tardio. Alguns dos sintomas extra-intestinais mais comuns são: dermatite, desnutrição, anemia, depressão, emagrecimento, ataxia, irritabilidade, sensibilidade alimentar, alergias, transtornos de ansiedade, osteoporose, esterilidade, tonturas, fraqueza, abortos espontâneos, endometriose, doenças neurológicas, reumatismo, alopécia, pólipos, tireoidite de Hashimoto, diabetes, câncer e etc. (Muitos mesmo, né?!) A doença celíaca pode levar à morte se não for tratada.

Diferente da intolerância à lactose, por exemplo, que os sintomas aparecem logo após a ingestão do alimento, no caso do glúten, os sintomas nem sempre são instantâneos, mas podem causar danos a longo prazo e são mais perigosos.

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Ela é contagiosa? Como se adquire?

Não é contagiosa! A doença celíaca ocorre apenas em pessoas com predisposição genética. Pode surgir em qualquer idade, inclusive nas pessoas adultas. Até 2% da população mundial é celíaca e só no Brasil temos em torno de 2 milhões de pessoas – mas a maioria ainda está sem diagnóstico.

Não passa através do sangue, sexo, secreções ou qualquer contato com as pessoas, mas pode ser transmitida geneticamente (de pai para filho, por exemplo). O risco de um parente ter a doença é de 1/10.

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Como a Doença Celíaca é diagnosticada?

Somente um médico gastroenterologista pode dar o diagnóstico, que é feito em duas etapas. Primeiro é feita uma triagem através dos exames de sangue (anticorpos anti-endomísio e anti-transglutaminase tecidual) e em seguida é realizada uma biópsia do tecido intestinal através de endoscopia. Este último é considerado o padrão-ouro para o diagnóstico.

Também pode ser feito um exame adicional para detectar os genes HLA-DQ2 e HLA-DQ8, mas a simples presença deles não determina que uma pessoa a desenvolva. Em alguns casos, os celíacos também são intolerantes à lactose, sendo necessário um exame clínico adequado para determinar este diagnóstico.

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O que é o glúten?

O glúten é uma proteína insolúvel composta de gliadina e gluteína. Ele é responsável pela consistência elástica nas massas e está presente nos seguintes alimentos: trigo, aveia, centeio e cevada.

Somente deverá ser excluído da dieta após todos os exames serem realizados e o diagnóstico de doença celíaca for confirmado pelo gastroenterologista, que encaminhará o paciente para os cuidados de um nutricionista. Caso contrário, os resultados podem dar falso negativo, prejudicando o diagnóstico e colocando a saúde em risco.

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Qual é o tratamento?

O único tratamento é uma alimentação sem glúten rigorosa por toda a vida. A pessoa que tem a doença celíaca nunca poderá consumir alimentos que contenham trigo, aveia, centeio e cevada ou os seus derivados. A dieta sem glúten permite a recuperação imediata da mucosa intestinal, mas seu restabelecimento leva de 1 a 2 anos, em média.

Também é necessário cuidar com a contaminação cruzada de glúten, tanto no preparo dos alimentos, quanto em produtos de higiene e cosméticos. Há mais informações nesse Guia Orientador Para Celíacos, disponibilizado no site da Acelbra, e mais adiante publicarei uma lista com os cosméticos seguros para celíacos aqui no blog.

Dependendo do estrago ocasionado pelo glúten em nosso intestino, algumas alergias e hipersensibilidades alimentares podem surgir. Não desanime, pois o uso de probióticos e o acompanhamento médico e nutricional poderá resolver quase que por completo com o passar do tempo. Tenha muita paciência e evite jejuns prolongados. Uma alimentação rica em nutrientes é fundamental para a recomposição da flora bacteriana, sistema imunológico e restauração das vilosidades intestinais.

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COMO SUBSTITUIR O GLÚTEN NOS ALIMENTOS?

Há diversas opções deliciosas que substituem facilmente o glúten na nossa vida. Basicamente a farinha de arroz, milho, batata, polvilho e mais alguns outros ingredientes, como os emulsificantes goma xantana, goma guar, psyllium e cmc, farão parte da vida do celíaco, substituindo por completo o trigo no preparo de massas. O problema maior ficará por conta dos alimentos industrializados, que são pouco fiscalizados no Brasil e muitos podem ter contaminação cruzada ou mesmo rotular como seguro equivocadamente. Comer fora de casa será MUITO difícil também, porém não impossível. Mas para tudo há uma solução e conforme nos acostumamos com essa condição celíaca, vamos aprendendo a sobreviver fora da nossa bolha.

Não se preocupe, pois aos poucos vamos curando o corpo e voltando a digerir normalmente os demais alimentos sem glúten que em um primeiro momento parecia que não conseguíamos mais, como a frutose, por exemplo.

Sempre leia os rótulos com muito cuidado e entre em contato com o SAC das marcas para garantir que cada produto que você pretende ingerir seja 100% seguro para celíacos. Muitas marcas afirmam ser livre de glúten apenas para conquistar a fatia enorme do mercado de quem faz essa dieta pela moda, então não tomam todos os cuidados necessários que um consumidor doente precisa. Não tenha medo e nem vergonha de ser chato nessa cobrança, afinal, é sua saúde que está em jogo.

Devo ressaltar que ‘dieta sem glúten’ não é sinônimo de ‘dieta low carb’. Muito pelo contrário! Utiliza-se farináceos tanto quanto em uma dieta comum e, inclusive, ela pode ser até mais calórica, visto que muitas vezes é necessário acrescentar uma quantidade maior de gordura para obter a maciez que o glúten proporcionaria na composição. Então se você quer emagrecer, certamente essa não é a dieta ideal para você. O celíaco emagrece por estar doente, não por causa da dieta. Procure um nutricionista e faça uma reeducação alimentar se o seu objetivo for esse.

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O glúten faz mal para quem não é doente celíaco?

Não! O glúten faz mal somente para doentes celíacos. Há um terrorismo alimentar acerca dessa proteína, mas não existe estudo científico que confirme os malefícios do glúten em organismos não celíacos. Sem contar que muitas pessoas com “sensibilidade ao glúten” são apenas celíacos mal diagnosticados, o que é um perigo, pois a maioria não segue a restrição ao glúten de maneira correta. (E ainda prejudicam os celíacos que precisam de ambientes seguros para comer fora de casa).

Há várias outras doenças tão perigosas quanto a doença celíaca e com sintomas muito semelhantes, mas que precisam de tratamentos diferentes (alergia do trigo, intolerância à frutose, sensibilidade ao fermento ou carboidratos, doença de chron, síndrome do intestino irrítável, disbiose, etc). Só os exames irão comprovar e te guiar para o caminho correto. Se você acha que tem doença celíaca, procure urgentemente um médico gastroenterologista especializado e não pare de comer glúten antes disso!

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Qual médico eu devo procurar?

Somente o médico gastroenterologista especialista em doença celíaca pode dar esse diagnóstico. Logo após, ele lhe encaminhará para um nutricionista para que a sua dieta sem glúten seja formulada de maneira adequada. Caso seja necessário outros tipos de exames, dependendo dos problemas de saúde ocasionados pela DC, ele também poderá indicar outros especialistas, como: dermatologista, endocrinologista, ortopedista, neurologista, etc.

O ideal também é fazer um tratamento psicológico, pois além do stress emocional de ter que seguir uma difícil restrição do glúten para o resto da vida, ainda há danos físicos causados pela doença, que estão diretamente ligados ao nosso humor e sensação de bem-estar (serotonina, por exemplo).

Nutricionistas, endocrinologistas e demais profissionais da saúde não podem cortar o glúten da sua dieta sem antes ter o diagnóstico de um gastroenterologista e todos os exames de doença celíaca realizados.

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Quando procurar um nutricionista?

Somente DEPOIS do diagnóstico médico (nutricionista não é médico)!
Nunca faça dieta de retirada do glúten antes disso.

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O nutricionista irá ajudar a planejar uma dieta livre de glúten, indicar alimentos para restabelecer suas carências nutricionais e ainda poderá prescrever algum probiótico para restaurar a sua flora intestinal.

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Onde encontrar um especialista?

A Acelbra disponibiliza no site deles, divido por estados, o nome de alguns profissionais capacitados para atender doentes celíacos e pessoas com suspeita deste diagnóstico. Consulte o seu plano de saúde para mais informações ou procure pelo atendimento do SUS. Todos os exames estão disponíveis gratuitamente na rede pública.

Aqui na minha cidade, Caxias do Sul – RS, eu faço tratamento com o Dr. Ronaldo Stumpf, que é excelente. Outro médico que também indico, porém esse é de Porto Alegre, é o Dr. José Inácio Sanseverino.

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No próximo post contarei como eu descobri que sou celíaca.
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Para acompanhar todas as publicações referentes a esse assunto, clique aqui.

crédito animações: ted-ed

Especial Dia da Mulher 💋

Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, separei alguns links interessantes:

  • A verdadeira história do dia 8 de Março – link
  • Dia da Mulher: talvez a gente não queira comemorar tanto assim – link
  • Desabafo sobre estupro, assédio e violência contra a mulher – link
  • Hedy Lamarr, a diva cientista – link
  • A femme fatale e o feminismo – link
  • Agatha Christie, a rainha do crime e escritora mais bem sucedida – link
  • Não tenha medo de ser poderosa – link
  • 9 coisas que homens ainda não entendem sobre o medo de ser mulher – link
  • Eu não sou mulher para casar – link
  • Emma Watson, feminismo e a repressão sexual da mulher – link
  • O que é gaslighting, mansplaning, manterrupting e bropriation? – link
  • Vamos elogiar mais? – link
  • Não tenha medo, faça-se ouvir – link
  • O girl power da Dior com a Maria Grazia Chiuri – link
  • Eu quero começar uma revolução! – link
  • Barbarella, a heroína que lutou pela liberdade sexual – link
  • O discurso da Madonna que todos deveriam ouvir – link
  • 14 histórias absurdas de mansplaning – link
  • O rolê da baixa autoestima – link
  • Oops, i’m not the one with a problem! – link

Emma Watson, feminismo e a repressão sexual da mulher

Emma Watson – uma feminista de carteirinha que é inclusive embaixadora da campanha He For She, que estimula homens a defenderem os direitos das mulheres – está sendo atacada injustamente pelas feministas radicais por ter feito uma foto para a Vanity Fair onde mostra demais os seus seios.

Ela se defendeu em uma entrevista recente, dizendo:

 “Feminismo é dar poder de escolha às mulheres,
e não um bastão com o qual você as ataca!
Feminismo é liberdade, liberação, igualdade!
Não sei o que os meus peitos têm a ver com isso. Fico confusa!
Isso só me revela o tanto de equívocos e mal-entendidos
acerca do que é o feminismo.”

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Em tempo, achei as fotos da Emma maravilhosas!

Mas, primeiramente, preciso falar sobre a minha história. Quando eu era criança e até os meus 17 anos, me considerava feminista e levantava a bandeira com muito orgulho. Até que algumas pessoas radicais começaram a usar esse rótulo, manchando-o de uma maneira que passava bem longe dos meus ideais de poder feminino. Lá pelo começo dos meus 20 anos, pulei fora de todo e qualquer rótulo, continuei lutando pelo o que eu acreditava, mas tipo numa “carreira solo”, sem fazer parte de grupinhos. Gosto de ser assim, meio lone ranger.

Foi depois que fiz esse blog e comecei a publicar minhas fotos que o rótulo de feminista desandou de vez para mim. Comecei a ser extremamente agredida por várias mulheres que se intitulavam feministas: era constantemente chamada de mulher objeto, de bonequinha dos homens, machista e etc. Tudo isso porque elas achavam que eu era sexualizada demais. As minhas roupas muito curtas, o meu exibicionismo em relação ao meu corpo e o conteúdo com conotações sexuais do meu blog eram ofensivos para o movimento feminista. Sendo que em nenhum momento eu falei que levantava essa bandeira e sempre deixei claro que abominava o machismo. Sem contar que perdi até um emprego por causa desse policiamento exacerbado e fora de controle que havia na época. Faltava rumo, direção, organização e centramento no feminismo do Brasil. Então, obviamente peguei um certo nojo da palavra, assim como muitas pessoas.

Comecei a chamar então essas meninas de “feministas por conveniência”, pois elas lutavam apenas contra a parte do machismo que elas achavam errada. As outras convenientes para elas, na época, elas aceitavam de boa. Então vi aí uma hipocrisia sem tamanho. Eram machistas disfarçadas, querendo apenas atacar e acabar com as mulheres que elas não conseguiam ganhar na batalha patriarcal. Atacavam então as mais bonitas, as mais confiantes, as mais poderosas, as mais qualquer coisa. Exatamente como a cartilha dos homens mandava. Ok, fui aguentando aquele desfile de burrice chegando no meu inbox diariamente.

Sei que foi um período de transição em que muitas mulheres ainda estavam descobrindo o feminismo e não sabiam muito bem como aquilo funcionava ou quais batalhas eram delas, então perdoo esses atos de completa ignorância. Eu também não era perfeita e cometia os meus deslizes. A Beyoncé chegou em 2013 trazendo o movimento ao mainstream e demorou mais alguns anos para que a poeira e os ânimos baixassem, então só agora parece que o grupo aumentou e tomou a forma certa, focando sua luta contra apenas o machismo.

Apesar de eu apoiar a igualdade entre os sexos e continuar lutando contra o machismo, ainda acho difícil usar o rótulo de feminista, pois para mim ele será sempre maculado. Todo e qualquer grupo há ignorantes e extremistas no meio, por isso não gosto de colocar uma etiqueta nas minhas costas. Não é por isso que não tenho empatia pelo grupo ou sou contra ele, nem que eu não pertença a ele. Na maior parte do tempo temos as nossas lutas, mas não gosto de ser excluída de um círculo se tenho uma opinião contrária e também não me sinto bem fazendo parte de padrões pré-determinados sabe-se lá por quem. Sempre tem uma ou duas pessoas que se acham as donas do movimento, ditando regras e influenciando as mais fracas. Acredito muito em hierarquia, já que é da natureza humana isso existir em QUALQUER grupo. Então tenho um pé atrás até hoje. Mas nem por isso sou contra o feminismo. Espero que algum dia ele se torne tão puro quanto a sua teoria e não seja excludente, por exemplo, com os problemas de negras, periféricas e transsexuais. (Já está próximo disso!)

O que essa intro toda tem a ver com os peitos da Emma Watson? Tudo!

Enquanto houver radicais, haverá desmoralização de todo o movimento. Enquanto algumas mulheres lutam de verdade por melhoras visíveis, como a Emma, outras preferem apenas atacar e proferir julgamentos vazios, colocando todos ao redor em uma balança do “bom e do mau”, julgando a todo instante detalhes ínfimos e sem valia nenhuma para o restante das mulheres. Isso dá ignição para os machistas e opositores se fortalecerem com as nossas fraquezas. Não é uma mulher sexualizada o problema, mas sim a problematização com intuito apenas de problematizar, sem cabimento ou fundamento. Não transformem tudo em uma piada.

Precisamos quebrar esse mito de que mulheres são sexualizadas por serem escravas dos homens. Mulheres gostam de sexo também, oras. Eu amo tirar fotos de lingerie, mas não faço isso para agradar ninguém além de mim mesma, tanto que a maioria das fotos que eu tiro, acabo nem publicando. Lembro na época do Lingerie Day que as feministas se dividiam entre as que achavam certo e as que achavam errado publicar na internet, tentando ditar regras. Só que não existe regra, existe liberdade! Quer tirar foto de lingerie por livre e espontânea vontade? Tira! Não quer? Não tira! Simples assim. É chato saber que o peito feminino ainda é um tabu, mesmo com todo o movimento Free The Nipple que as próprias feministas criaram.

A Madonna disse em um discurso que não iria negar sua sexualidade para ser feminista, pois era isso que algumas líderes do movimento exigiam dela no começo dos anos 90. Ela então optou por ser uma “feminista má” e continuou emponderando inúmeras outras mulheres através das décadas. Nada mal para quem foi desconsiderada, não é?

Cadê a sororidade nessas horas? Uma das piores coisas do machismo é exatamente isso: tirar a voz e o poder de escolha das mulheres, distorcer suas falas e seus atos, desacreditar de suas palavras. Não existe uma cartilha do que pode ou não fazer no feminismo, por isso não espere o aval de outra pessoa que você considera mais engajada para tomar uma atitude que você acha correta.

Tem um momento que precisamos dar um passo para trás, respirar com calma e analisar os fatos como eles são, não distorcendo a nossa ótica em relação ao assunto apenas para não ser excluída de um grupo. Talvez eu também deveria ter feito isso e dado um tempo para escrever esse desabafo, pois sei que quem já não simpatiza muito comigo ainda irá usar esse post contra mim, alegando que sou machista e blá, blá blá. Fiquem à vontade.

Leia a entrevista completa da Emma Watson para a Vanity Fair aqui.

Hip Hop, street style e a valorização da Moda – Marc Jacobs

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Nem preciso assistir todos os desfiles para eleger o meu favorito dessa temporada do NYFW, pois o Marc Jacobs chegou lacrando com tudo. Um belo tapa na cara da nossa sociedade hipócrita, que tinha transformado a moda em bagunça, transferindo-a para segundo plano nos principais eventos das semanas de moda do mundo inteiro.

Com uma simplicidade poética, Marc Jacobs deixou a moda falar por si em um dos desfiles mais minimalistas que ele já produziu. Sem distrações – não tinha música, nem cenário e até os celulares foram proibidos naquele momento – foi claramente uma tentativa de resgate ao que realmente era importante ali: as roupas e acessórios.

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Apesar de parecer óbvio o objetivo de um desfile, a maioria dos seus frequentadores está ali por outras conveniências que não são a moda. Virou um evento social oco, onde parece ser mais importante sentar na primeira fila ou dizer que foi naquele evento como uma espécie de troféu fashionista (mesmo não tendo absorvido nada dele). Todos querem ser influentes, mas acabam influenciando apenas mais daquela cultura vazia que vemos aos montes nas colunas sociais de qualquer cidadezinha (e agora no Instagram). Os panos pendurados nas modelos e todo o trabalho daquele estilista acabam relegados.

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Então depois desse VRÁ na cara de muitos, começou o show de verdade. A nova coleção foi inspirada no Hip Hop e a importância dele para o desenvolvimento do street style. Marc Jacobs diz que assistiu ao documentário Hip-Hop Evolution na Netflix, que mostra a evolução desse gênero musical dos anos 70 aos 90 e como essa cultura riquíssima foi transferida para o nosso cotidiano naturalmente:

“Como nasci e cresci em Nova York, foi durante a minha época na High School of Art and Design que eu comecei a ver e sentir a influência do hip-hop nas outras músicas e também na arte e estilo. Essa coleção é a minha representação do estilo causal esportivo. É um reconhecimento e um gesto do meu respeito pelo polimento e consideração aplicados à moda de uma geração que será para sempre o fundamento do estilo de rua da cultura juvenil.”

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Observando os detalhes, percebemos que tudo foi pensado para ser usado nas ruas mesmo. Não há nada ali que não possa fazer parte do nosso guarda-roupa. Talvez apenas os chapéus exagerados se reconfigurem um pouco, mas gostei que eles tenham aparecido dessa maneira bem evidente, pois é um sinal de que o estilista apostou forte nessa tendência e a gente pode se divertir bastante com peças mais enxutas (sou suspeita para falar, pois eu amo chapéus!). Amei as cores nude, marrom e dourado praticamente dominando a paleta do desfile. Os colares gigantes (bling-bling ♥), os casacos com pelúcia (no caso do desfile, acredito que sejam peles de verdade, infelizmente) e os microcompimentos tocam o meu coração.

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Por mais desfiles ricos em cultura e menos futilidade! ❤

Meu look: Meet the Ozzy

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Ano passado, depois que o cachorrinho da minha avó partiu, ela estava muito sozinha e triste, sentindo falta de uma companhia. Para curar essa ferida, resolvi dar um novo cachorro para ela – acho que o amor deles é o melhor remédio para tudo – então pesquisei bastante até encontrar um que fosse adequado às necessidades e realidade dela. Queríamos um cachorro grande, pois ela tem pátio com grama, mas que não fosse agressivo – o Mike já a havia mordido recentemente e foi um trauma muito grande, tanto físico quanto emocional, então isso não poderia se repetir. Também precisava ser um filhote, pois seria mais fácil para ele se acostumar com os comandos e rotina dela. Por incrível que pareça, não achei em nenhum lugar um vira-latinha assim, pois a adoção é sempre a primeira opção aqui em casa. Os grandes geralmente já estavam adultos e muitos tinham mistura com raças agressivas, o que dificultaria muito a adaptação com uma senhora de idade. Então, no final das contas, resolvi comprar um Border Collie de um canil confiável.

Eu sei que muitas pessoas vão me jogar pedras e julgar por ter comprado um cachorro, mas acredito que as raças estão aí para suprir certas necessidades de quem ama um cão mas tem restrições. Não compro pela beleza e nem para fazer de acessório, tenho muito respeito pela vida e sei que um vira-lata tem o seu valor tanto quanto um animal de raça – a primeira Lili, a segunda Lili e o Lupi que o digam. Nesse caso foi necessário comprar um padrão específico de personalidade e porte, mas não será menos amado do que qualquer outro cachorrinho.

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Essas fotos foram tiradas quando ele chegou, no dia 30 de Outubro, por isso ainda estava bem assustadinho, meio jururu por ter enjoado no carro e desconfiado com tanta gente ao redor dele. Mas alguns dias depois já estava bem adaptado e feliz com a minha avó.

Nem preciso falar que a Vó Ni AMOU a surpresa, né? Ela que é apaixonada por cachorros desde criança, abriu um sorriso que está durando até hoje! No início tínhamos algumas sugestões de nomes para ele, mas ela escolheu Bolt, por causa do desenho da Disney. Como ela tem origem alemã, não conseguia pronunciar muito bem e no outro dia mesmo já pediu para eu escolher outro mais fácil, então decidi colocar Ozzyela nem imagina que seja por causa do cantor do Black Sabbath. 😂

P.S.: Meu look todo rosa é por causa de um evento filantrópico do Outubro Rosa que eu tinha ido pela manhã, então não se assustem com o excesso monocromático.

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Conjunto veludo: Cativa | Tênis: Vans | Óculos: Renner

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Adeus 2016!

Não vou galmourizar e muito menos demonizar o ano que se vai. Acredito que coisas aleatórias acontecem com todo mundo, sejam elas boas ou ruins, então não dá para perder o otimismo e nem tirar os pés muito do chão. Devemos sempre seguir em frente de cabeça erguida ou com uma grande lição aprendida a mais na nossa bagagem.

2016 começou leve e pesado ao mesmo tempo para mim. Descobri no final de 2015 que sou celíaca, então tive que me empenhar bastante em uma dieta horrível, porém sou muito grata por saber que essa é uma alternativa bem simples para o meu problema – podia ser pior, né.

Também cuidei do Lupi até junho, quando ele partiu. Fiz a minha parte e estou com a consciência tranquila de que executei tudo o que era possível para manter o meu filhotinho ao meu lado pelo máximo de tempo. Cuidei dele diariamente e ninguém imagina o trabalho que isso deu. Me afastei do blog, me afastei da vida social e só queria estar ali, curtindo os possíveis últimos minutinhos dele ao meu lado. Não me arrependo nadinha! Dou muito mais valor às mães depois disso, pois sei o que a maioria passa para ver o seu filho bem, principalmente quando ele é doentinho, e, mesmo eu sendo apenas uma “mãe de cachorro“, pude sentir na pele como isso é exaustante e recompensador ao mesmo tempo.

Depois que ele se foi, fiquei um tempo sem chão e com o coração na mão. A minha rotina estava estraçalhada também – já falei que amo rotina cotidiana? ♥ -, mas ao mesmo tempo que era ruim, abriu um leque de possibilidades a mais que eu nem estava cogitando, me deu liberdade. Tive muitas oportunidades diferentonas esse ano.

Perdi outros 2 cachorrinhos – a Bebel, que já tinha uns 15 anos; e o Mike, que era meu quando filhote e depois foi morar com a minha avó, vivendo feliz por 14 anos. Ambos com eutanásia, coisa que eu jamais aceitaria até então. Mas aprendi na pele que algumas vezes é necessário deixar de ser egoísta e aliviar o sofrimento do animal que tanto amamos é muito mais necessário do que deixá-lo ali sofrendo para evitar a nossa angústia de possuí-los. A sorte não estava do lado dos cães por aqui. Até a Luna entrou pra faca para retirar um câncer – no final deu tudo certo para ela! Consegui aprender um pouco mais sobre essa jornada louca que fazemos aqui na Terra e que é necessário desapegar de vez em quando, afinal, a única certeza que temos é a de que vamos partir algum dia.

A política foi bizarra. Perdemos grandes lendas (R.I.P. David Bowie). A economia foi pro ralo. Mas isso tudo são lições necessárias para a nossa evolução, por mais amargas que possam parecer. Tenho certeza de que os verdadeiros fênix são os humanos, pois conseguimos fazer coisas lindas com a vida após termos passado por um caos danado. Se ainda não é possível voar com novas asas, é pq o aprendizado talvez não tenha chegado ao fim. Uma hora as coisas ruins, sejam elas quais forem, acabam. Sempre há uma nova esperança.

Então é isso que eu desejo para 2017: ESPERANÇA.

É claro que amor (o próprio e ao próximo), saúde, prosperidade, paz, alegrias e todas essas coisas também. Principalmente para vocês que estão aqui, sempre me acompanhando. Obrigada pelo carinho de sempre!

Feliz Ano novo

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P.S.: Vou tirar férias do blog durante o mês de janeiro. Preciso descansar a mente de uma maneira offline – tentarei o máximo possível. Vejo vocês novamente em fevereiro!

O discurso da Madonna que todos deveriam ouvir

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Perdi a conta de quantas vezes me senti representada pelas palavras da Madonna. Já compartilhei com vocês inúmeras vezes, pois sempre são impactantes, certeiras e necessárias para o empoderamento de muitas pessoas, principalmente mulheres. Então não seria diferente no discurso que ela fez ao receber o prêmio de Mulher do Ano da Billboard.

Pode-se dizer que ela roubou o show ontem, usando apenas a sua velha arma da honestidade. Por mais cruel que possa parecer, o que precisa ser dito, ela dirá sem rodeios. Cutucar a ferida é com ela mesma. Já expôs todos os podres da sociedade e causou polêmicas que ajudaram todo mundo dar um passo para frente, sempre em rumo à liberdade.

Depois de começar com uma piada – “Sempre me sinto melhor com algo duro entre as pernas” – Madonna começa o seu sermão:

“Estou aqui em frente como um capacho.
Quero dizer, como uma artista feminina.

Obrigada por reconhecerem a minha habilidade de continuar na minha carreira por 34 anos diante de tanto sexismo, misoginia, bullying constante e abuso implacável.

As pessoas estavam morrendo de aids em todos os lugares. Não era seguro ser gay e nem estar associada com a comunidade gay. Era 1979 e Nova York era um lugar muito assustador. No meu primeiro ano, fiquei na mira de uma arma, fui estuprada no terraço com uma faca fincada na minha garganta e eu tive o meu apartamento invadido e roubado tantas vezes que eu parei até de trancar a porta. Nos anos seguintes, perdi quase todos os meus amigos para a aids, ou drogas, ou tiros.

Como vocês podem imaginar, todos esses acontecidos inesperados não apenas me ajudaram a me tornar a mulher ousada que está aqui, mas também me lembraram que sou vulnerável e que, na vida, não há segurança verdadeira, exceto acreditar em si mesma.

Fui inspirada pela Debbie Harry, Chrissie Hynde e Aretha Franklin, mas minha musa real era o David Bowie.

Ele incorporava o espírito masculino e feminino e isso me serviu muito bem.
Ele me fez pensar que não havia regras.

Mas eu estava errada.

Não há regras… se você é um menino!
Existem regras se você é uma menina.

Se você é uma menina, você tem que jogar o jogo:
Você tem permissão para ser bonita, fofa e sexy.
Mas não pareça muito esperta.
Não haja como você tivesse uma opinião que vá contra o status quo.

Você pode ser objetificada pelos homens e
pode se vestir como uma puta,
mas não assuma e se orgulhe da puta em você.

E não, eu repito, NÃO compartilhe suas próprias fantasias sexuais com o mundo.

Seja o que homens querem que você seja!
E, mais importante, seja alguém com quem as mulheres se sintam confortáveis quando você estiver perto de outros homens.

Por fim, não envelheça.
Porque envelhecer é um pecado.
Você vai ser criticada e humilhada e definitivamente não tocará nas rádios.

Eventualmente, me deixaram em paz depois que me casei com o Sean Penn. Não porque ele chutaria alguns traseiros, mas sim porque eu estava fora do “mercado”. Sabe, por um tempo, fui considerada uma ameaça. Mas anos depois, divorciada e solteira, fiz o álbum Erotica e lancei o livro Sex. Lembro de ser a notícia principal de cada jornal e revista. Tudo o que eu lia sobre mim era condenatório.

Eu era chamada de vagabunda e bruxa.
Uma manchete me comparava com o diabo.

Eu disse, ‘Espera aí um minutinho, o Prince não está correndo por aí usando meia-calça, salto alto, batom e mostrando a bunda?’ Sim, ele estava. Mas ele era um homem.

Essa foi a primeira vez que realmente entendi que as mulheres não têm a mesma liberdade dos homens.

Eu me lembro de desejar ter uma mulher para me apoiar.
Camille Paglia, a famosa escritora feminista, disse que eu fiz as mulheres retrocederem ao me objetificar sexualmente.

Então eu pensei: ‘Se você é uma feminista, você não tem sexualidade, você a nega’.
E eu disse: ‘Foda-se. Eu sou um tipo diferente de feminista. Sou uma feminista má’.”

A coisa mais controversa que eu já fiz foi me manter aqui.

Michael Jackson se foi. Tupac se foi.
Prince se foi.
Whitney Houston se foi.
Amy Winehouse se foi.
David Bowie se foi.
Mas eu continuo aqui. Sou uma das sortudas e todo dia eu agradeço por isso.

O que eu gostaria de dizer para todas as mulheres que estão aqui hoje é: Mulheres têm sido oprimidas por tanto tempo que elas acreditam no que os homens falam sobre elas. Elas acreditam que elas precisam apoiar um homem. E há alguns homens bons e dignos de serem apoiados, mas não por serem homens, mas porque eles valem a pena. Como mulheres, nós temos que começar a apreciar nosso próprio mérito. Procurem mulheres fortes para serem amigas, para serem aliadas, para aprenderem com elas, para serem inspiradas, para serem apoiadas e para serem instruídas.

Estou aqui mais porque quero agradecer do que para receber esse prêmio. Agradecer não apenas a todas as pessoas que me amaram e me apoiaram ao longo do caminho; vocês não têm ideia de quanto o apoio de vocês significa. Mas para aqueles que duvidam e para todos que me disseram que eu não poderia, que eu não iria e que eu não deveria, sua resistência me fez mais forte, me fez insistir ainda mais, me fez a lutadora que sou hoje. Me fez a mulher que sou hoje. Então, obrigada.”

TAKE A BOW!

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As costas do figurino da Madonna, escrito Euterpe, em grego, que quer dizer DEUSA DA MÚSICA.