Dia da Mulher é dia de luta!

A foto é velha mas a luta não perece!
Sim, luta.
Hoje não é um dia de comemorar. É hora de refletirmos tudo aquilo que aflige as mulheres no cotidiano em nossa sociedade. Ainda somos tratadas com desigualdade em todos os âmbitos. Ser consciente disso não nos faz escolher o papel de vítima inocente, bem pelo contrário, mostra que estamos preparadas para não aceitar nada menos do que o justo e combatermos quem ouse não nos permitir.
Não queremos as suas flores ou os seus parabéns.
Queremos respeito.
Respeitar é ouvir o que temos para falar, independente da roupa que estamos usando ou da nossa aparência. É entender nossas lamúrias e nosso cansaço generalizado. É não nos exaurir.
Ao ver alguma mulher reclamando de homem, não vá até ela dizer que “nem todos são assim” ou que você é especial e merece uma medalha por fazer apenas o básico. Mire sua energia para repreender todos os outros homens ao seu redor que continuam fazendo com que as mulheres tenham esse tipo de percepção. Seja contra aqueles que continuam nos oprimindo e cerceiam a nossa liberdade. Não seja aquele que permite continuarmos fustigadas pelas mesmas mazelas que parecem não mudar desde tempos primórdios.
No período tenebroso de agora, onde perdemos 7 anos de direitos e muito mais coisas sombrias nos aguardam nas questões políticas, precisamos estar atentas e vigilantes para não retrocedermos ainda mais. No ano em que a violência contra a mulher é banalizada e se expande drasticamente, nós precisamos mais do que nunca do alento de sermos escutadas. No ano em que o machismo se fortalece através de falsos pudores e alienações mentais de quem cultua messias ilegítimos e dogmas de ódio, precisamos resistir com força e altivez.
Estamos exaustas de tentar fazê-los entender o essencial. Não somos seus objetos, não somos suas. Queremos apenas dignidade e consideração. É possível?
Pergunta retórica, pois também não precisamos da sua permissão. Vamos continuar trazendo o fragor que estremece as estruturas arcaicas, quer queira ou não.
Vamos rasgar o véu da candura que nos foi colocado à força antes que ele nos sufoque e nos silencie ainda mais.
Viva o dia das FEMINISTAS!
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Meninos vestem azul e meninas vestem rosa? Desde quando?

Hoje viralizou um vídeo onde nossa ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos fala que “meninos vestem azul e meninas vestem rosa” nessa nova era do governo. Mas será que as pessoas realmente sabem a origem da simbologia de cores ligados ao sexo? Por que meninos usam azul e meninas usam rosa? É para isso que a história da moda existe e irei explicar de maneira didática e simples.

Segundo o livro “The Story of Colour: An Exploration of the Hidden Messages of the Spectrum” do Gavin Evans, onde ele fala sobre a cultura das cores, entre o final do século XIX e início do século XX as mães costumavam ouvir que se elas queriam que seus filhos crescessem másculos, era necessário vestí-los de cores masculinas, como o rosa e se quisessem que as meninas crescessem bem femininas, teriam que vestí-las de azul. Sim, ao contrário mesmo! A origem disso vem da Europa, onde a cor azul era associada com o feminino por conta do manto da Virgem Maria, uma cor serena que transmitia calma e ternura. Já o rosa era uma versão para os meninos da masculina cor vermelha, que era uma cor quente, viríl, representava lutas e guerras e também a cor do manto de Jesus Cristo.

Gradualmente isso foi mudando pela metade do século XX, mais precisamente no pós-guerra, pela década de 1950, onde havia fortes propagandas criadas pelas agências de publicidade que induziam as pessoas a aceitarem o rosa como uma cor exclusivamente feminina, o que fez com que a mudança fosse aceita muito rapidamente.

Vale constar também que antes de tudo isso, todos os bebês usavam roupas brancas, pois era muito mais fácil de limpar e não desbotavam com o uso de produtos de limpeza fortes que serviam para tirar manchas, além de poderem ser repassados para todos os filhos da família. O detalhe é que na época do branco, independente de gênero, todas as crianças usavam vestidos por serem mais práticos também. Os meninos começavam a usar calças apenas depois do primeiro corte de cabelo ou ainda mais adiante.

Assistam o vídeo abaixo para uma versão bem completinha e resumida sobre o assunto (é em inglês, mas basta ativar as legendas com tradução automática):

 

Sei que a intenção da ministra não foi uma mera trivialidade sobre moda, também não há nada de ingênuo em uma afirmação colérica assim, apenas expõe a homofobia que permeia a mente de milhões de brasileiros. Estamos em 2019, já vivemos quase 2 décadas de um novo século, mas as palavras e pensamentos que imperam no Brasil nos últimos tempos parecem advindas de outrora, de tempos sombrios. Nossa Idade Média já chegou e as piras estão sendo preparadas para arder em chamas quem eles julgarem como bruxas.

Desejaria começar o ano otimista, mas está difícil, a ignorância se fortalece a cada dia. Os preconceituosos haviam sido marginalizados mas agora lutam para voltar ao topo e tentam resgatar a única forma de sentirem um gostinho de superioridade depois de se constatarem inferiorizados com o avanço da igualdade social que as minorias estavam conquistando. As pequenas bolhas do WhatsApp e Facebook são os novos “guetos” modernos. Um grito que foi ouvido pelos evangélicos, que estão sempre prontos para socorrer coitadinhos (desde que passem pela triagem de “cidadão de bem”, é claro). Os que faziam vítimas agora viraram as próprias vítimas e buscam suas salvações em um milagre divino chamado… vocês sabem quem.

Busquem conhecimento, pois só isso é capaz de nos salvar dessa lavagem cerebral.

Aproveito para deixar aqui alguns links que complementam o assunto: