Retrospectiva 2017 – Posts mais acessados

Retrospectiva 2017 – Posts mais acessados

Mais um ano se passou e muita coisa rolou. Sou muito grata pelo imenso apoio que sempre recebi dos leitores aqui do blog, pelas amizades que surgem e fortalecem, pelos aprendizados proporcionados e, principalmente, pela reciprocidade de amor que envolve internet, escrita, moda, filmes e etc que ocorre por aqui. Obrigada por acompanharem o Got Sin?. Espero que todos tenham um excelente novo ano e comemorem com muita festa o final de 2017.

Para não perder a tradição, selecionei os 15 posts mais acessados de 2017: Continue lendo “Retrospectiva 2017 – Posts mais acessados”

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O aparelho Nima (detector de glúten) funciona mesmo?

Muito se falou do aparelho Nima, um detector portátil de glúten, que promete ajudar a vida dos celíacos a descobrir se os alimentos realmente são seguros para consumo – sem glúten e sem contaminação cruzada de glúten. Porém, infelizmente, depois de muitos testes, especialistas e consumidores chegaram à conclusão de que seus resultados não são precisos e podem ser falsos.

Segundo Tricia Thompson (fundadora do Gluten Free Watchdog, nutricionista e estudante de medicina), o aparelho Nima foi testado por ela e diversos outros membros da comunidade em diversos alimentos com e sem glúten, fazendo com que chegassem à conclusão de que o aparelho foi lançado no mercado prematuramente. Todos os alimentos também foram testados em laboratório pelo método padrão R5 ELISA, comprovando sua divergência. Dado o estado atual de desenvolvimento deste sensor, o GFW não apoia seu uso para celíacos no momento.

Alguns problemas constatados no Nima:

Resultado Falso Positivo

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Cinco produtos sem glúten tiveram como resultado “low gluten” (baixo nível de glúten), sendo que eram certificados pela GFCO.

 

  • O aparelho NIMA testou abaixo do limite de 1 parte por milhão.
  • Estes resultados são falsos positivos, o que significa que não há glúten na amostra, e este dispositivo tem um limite de detecção extremamente baixo, próximo de zero.
  • Isso induz os consumidores ao erro.

Baixa reatividade à Cevada

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Grãos de cevada e farinha de cevada também obtiveram resultado “low gluten” (baixo nível de glúten).

  • O anticorpo usado nesse aparelho tem baixa reatividade cruzada para a cevada.
  • Como todos sabem, cevada contém glúten naturalmente, então o resultado deveria ser “high gluten” (alto nível de glúten).
  • É uma falsa comprovação de segurança muito grande para um celíaco.

Não detectA contaminação por migalhas

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O aparelho deu como resultado um sorriso (sinal de que o alimento é livre de glúten) para o cereal matinal Cheerios de um lote que sofreu recall por conter glúten, aveia comum da Quaker e biscoitos de arroz que haviam sido depositados sobre migalhas de pão de trigo.

  • A metodologia de amostragem para este dispositivo (isto é, testar uma amostra não homogeneizada do tamanho de uma ervilha) não é suficiente para encontrar glúten em amostras quando o glúten não for distribuído uniformemente.
  • Resultado falso negativo é um alerta para a segurança dos celíacos.

Amostras diluídas interferem o resultado

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Diluir com água uma mostarda que contém farinha de trigo na composição (como é recomendo no site da Nima para alimentos com cores intensas ou brilhantes) mudou o resultado do teste de “high gluten” (alto nível de glúten) para “low gluten” (baixo nível de glúten).

  • A amostra diluída na água diminui o nível de glúten (parte por milhão) na detectação.
  • Diminuir a eficácia na detectação = diminuir a segurança

O site também testou outras 50 amostras. Todos os produtos que obtiveram resultado “low gluten” foram enviados para um laboratório para serem testados usando o método padrão-ouro, R5 ELISA. Lá, obtiveram resultados abaixo do limite de detectação de 1 ppm de glúten, atestando a segurança dos alimentos e comprovando a confusão do aparelho.

Na minha opinião, fico feliz de não ter gasto 280 dólares em um aparelho que não é tão eficaz assim. Inclusive no próprio site da Nima tem uma lista de alimentos que afetam sua eficácia. De palpites já bastam o nosso “achômetro” e bom senso, né? Infelizmente ainda vamos continuar à mercê da contaminação cruzada por glúten até conseguirmos educar o mundo e os ‘não celíacos’ de uma maneira mais adequada.

Alguém aí já testou esse aparelho? O que achou?

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Receita sem glúten: Crepioca

Crepioca está super na moda, eu sei! Mas essa receita é a melhor que eu já provei até agora – foi meu irmão que formulou e aprimorou. O bom é que ela é rápida, prática e deliciosa. Fica bem crocante e lembra bastante o gostinho de pão de queijo – mas é sem lactoseUma ótima opção para os celíacos.

 RECEITA DE CREPIOCA 
sem glúten | sem lactose | sem soja

  • 3 colheres de goma de tapioca
  • 1 ovo
  • pitada de sal

Modo de preparo:

– Misture os ingredientes em um recipiente;
– Aqueça uma frigideira antiaderente em fogo alto;
– Coloque a mistura na frigideira bem quente e deixe até o centro começar a ficar com aparência de cozido;
– Vire e coloque o recheio de sua preferência enquanto assa o outro lado;
– Sirva quentinha.

Rende 1 porção

Essa da foto foi recheada com guisado (carne moída) e é a minha preferida. Bato a carne de alcatra no liquidificador e depois cozinho com sal, cebola, salsa e cebolinha verde (pode colocar alho também). Acho mais saudável e seguro moer em casa, tenho esse costume mesmo antes de saber que era celíaca.

Uma pílula anticontaminação cruzada por glúten?

Enzima AN-PEP

Apresento-lhes a enzima AN-PEP, uma enzima digestiva que promete “quebrar” o glúten! Um novo estudo foi apresentando na conferência mais importante do segmento, a Digestive Disease Week (DDW) em maio, onde mostraram que a enzima AN-PEP (aspergillus niger-derived prolyl endoprotease) pode quebrar o glúten no nosso estômago, apesar de os pesquisadores alertarem que ela não tem intenção de tratar ou prevenir a doença celíaca.

Nos últimos anos, diversos estudos têm indicado que a AN-PEP pode ser eficaz na hora de quebrar o glúten em pequenos e inofensivos fragmentos. Esse novo estudo da Universidade de Örebro na Suécia, monitorou 18 participantes com sensibilidade ao glúten que comeram mingau de aveia contendo migalhas de biscoito de trigo. Os resultados mostraram que a AN-PEP diminuiu significativamente os níveis de glúten no estômago e intestino delgado dos participantes.

“Esse resultados sugerem que essa enzima pode ser potencialmente usada em indivíduos com sensibilidade ao glúten que podem (por mais preocupados que sejam) comer inintencionalmente comidas com pequenas quantidades de glúten, então assim eles poderiam se sentir mais seguros quanto às escolhas alimentares”, diz a pesquisadora Julia König. “Nós não estamos sugerindo que a AN-PEP dará aos indivíduos com sensibilidade ao glúten a habilidade de sair e comer grandes quantidades de glúten, como um pote inteiro de massa.”

Esse estudo não testou a AN-PEP em pessoas com doença celíaca “porque até mesmo pequenas quantidades de glúten podem causar problemas tardios e prejudicar esses pacientes”, König explica. “Nós não temos como ter 100% de certeza de que todo o glúten foi destruído. É por isso que dizemos que os pacientes celíacos devem continuar sua dieta restrita sem glúten.”

Quem tem doença celíaca pode usar essa enzima como uma segurança extra na hora de evitar contaminação cruzada, mas não pode usá-la para começar a comer comida que contém glúten,  diz König.

Destruindo o glúten no corpo

Por que o glúten precisa ser quebrado ou destruído?

O Glúten é feito das proteínas glutamina e gliadina. O sistema gastrointestinal humano não é capaz de quebrar a gliadina de forma eficaz e grandes fragmentos podem chegar até o intestino delgado. Para a maioria das pessoas, esses fragmentos não são um problema e eles passam naturalmente por todo o campo digestivo.

Mas na Doença Celíaca, esses fragmentos machucam o intestino e passam para a circulação sanguínea. Lá, as moléculas HLA-DQ2 e HLA-DQ8 (relacionadas aos genes presentes nos celíacos) liga-se a esses fragmentos, desencadeando um ataque inflamatório das células T. A enzima AN-PEP quebra as maiores proteínas de gliadina em pequenos fragmentos no estômago – antes de entrarem em contato com o intestino delgado. Ficam assim, pequenas demais para se ligarem às moléculas de HLA-DQ, fazendo com que não causem mal algum.

Procurando Soluções para a Exposição Acidental de Glúten

Manufaturados pela empresa holandesa DSM, a enzima AN-PEP agora está disponível nos Estados Unidos como um suplemento alimentar chamado GliadinX. Apresentado em março, o GliadinX contém um alto nível de AN-PEP (335 miligramas por cápsula) e ainda um agente que reduz seu pH, já que as pesquisas mostraram que as enzimas funcionam melhor em um ambiente mais ácido, diz Albert Zickmann, o fundador.

Por ser vendido como suplemento alimentar, o GliadinX não passou pelos testes e processo de aprovação da FDA (agência reguladora de alimentos e medicamentos nos EUA), então não pode ser vendido como tratamento ou preventivo de doenças. Foi projetado para ser um adjunto da dieta sem glúten e ajudar nos casos isolados e acidentais de exposição ao glúten pela contaminação cruzada, mas Zikmann vê um potencial para ampliar seu uso.

“Baseado nos dados disponíveis, muitas pessoas com doença celíaca poderão se beneficiar ao tomar o GliadinX”, ele diz. “Pode ser capaz de dar conta não apenas da contaminação cruzada, mas também de glúten no geral – mas pesquisas adicionais serão necessárias”.

A enzima pode ajudar também a prevenir o estrago naqueles que não seguem a risca a dieta sem glúten, Zickmam complementa.  (As taxas de pessoas que seguem restritamente a dieta de maneria correta variam amplamente, mas geralmente são inferiores a 50%, de acordo com um estudo da Mayo Clinic 2013.)

Como a enzima Lactaid, que quebra as moléculas de lactose, as cápsulas de GliadinX devem ser tomadas imediatamente antes de ingerir alimentos contendo glúten. A dosagem varia dependendo do tipo de comida que for ingerida e da quantidade, fazendo com que a dosagem por conta própria seja muito difícil. Não há efeitos colaterais causados pela enzima e nenhuma dose máxima foi estabelecida, Zickman diz.

Se o glúten for ingerido e os sintomas já forem evidentes, GliadinX não será efetivo. Ele também alerta que esse produto pode não funcionar muito bem em pessoas com sensibilidade ao glúten não celíaca ou sensibilidade ao trigo não celíaca. Isso porque elas geralmente reagem a outros aspectos do trigo, como os frutanos ou inibidores amilase-tripsina, e não ao glúten em si. Da mesma forma, a enzima também não é eficaz para os alérgicos ao trigo.

AN-PEP não é uma cura!

Opinião dos médicos

Frits Koning, PhD, tem trabalhado com a DSM e é o responsável por vários estudos sobre a enzima AN-PEP na Universidade de Leiden, na Noruega. “Minha mensagem aos pacientes celíacos é que essa enzima é muito boa para casos onde vocês se sintam inseguros. Se você vai há um restaurante ou celebrar alguma data comemorativa fora de casa e tem medo de que possa entrar em contato com o glúten involuntariamente ou inconscientemente, então basta tomar essa enzima antes de sua refeição como precaução”, ele diz. “A enzima é bem boa para degradar o glúten mas, na minha opinião, nunca permitirá que celíacos iniciem uma dieta contendo glúten “.

Koning alerta para o grande número de cápsulas que seriam necessárias para dissolver completamente o glúten em uma dieta normal e o fato de que pode haver uma variação na eficácia da enzima devido aos níveis de pH e outros alimentos consumidos.

O novo estudo sueco mostrou que os níveis de glúten no estômago eram 85% menores nos que tomavam AN-PEP do que no grupo placebo. Mas Koning diz que não é suficiente para alguém com doença celíaca.

“Se você comer 1 grama de glúten e destruir 80% dela, ainda estará bem acima do limite de 20 ppm para consumo seguro de glúten”, ele diz. “Se você realmente quer garantia de segurança, você deve destruir 99%. Isso é muito difícil de atingir com enzimas, a não ser que a quantidade de glúten seja muito baixa. Tudo dependerá do nível de glúten que você comer. Se o seu nível de exposição ao glúten é alto, você deverá destruir mais para chegar em uma zona de segurança. Se a contaminação de glúten é na faixa de miligramas,  então você só precisa reduzir a quantidade da porção e estará seguro com a enzima. Se você percebe que foi contaminado, pode usar imediatamente a enzima para minimizar o risco do glúten no seu organismo, mas não eliminá-lo. Não há garantia de que destruirá o suficiente do glúten – mas certamente irá destruir um pouco, pois a enzima fará seu trabalho”.

Enquanto a enzima AN-PEP degrada o glúten, não é uma cura para a doença celíaca, enfatiza Stefano Guandalini, MD, fundador e diretor médico do Centro de Doença Celíaca da Universidade de Chicago. No entanto, pode ser útil para combater a contaminação cruzada de glúten ao comer ou viajar, como um suporte para a dieta sem glúten, diz ele.

“Eu advirto fortemente por ter uma falsa sensação de segurança ao usar este produto enzimático”, diz Guandalini. “Embora seja eficaz na entrega do que afirma, só deve ser considerado uma proteção extra contra a menor contaminação cruzada em pacientes que precisam viver com uma dieta livre de glúten”. Ele recomenda que os pacientes que tomam a enzima sejam monitorados por seu médico com exames de sangue periódicos.

Mais pesquisas ainda são necessárias, mas parece que a AN-PEP talvez seja capaz de quebrar o glúten acidental e degradar as preocupações daqueles com uma dieta sem glúten.

Artigo traduzido do site Gluten Free and More


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