Exposição mostra roupas que vítimas de estupro usavam

Exposição mostra roupas que vítimas de estupro usavam

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Retrospectiva 2017 – Posts mais acessados

Retrospectiva 2017 – Posts mais acessados

Mais um ano se passou e muita coisa rolou. Sou muito grata pelo imenso apoio que sempre recebi dos leitores aqui do blog, pelas amizades que surgem e fortalecem, pelos aprendizados proporcionados e, principalmente, pela reciprocidade de amor que envolve internet, escrita, moda, filmes e etc que ocorre por aqui. Obrigada por acompanharem o Got Sin?. Espero que todos tenham um excelente novo ano e comemorem com muita festa o final de 2017.

Para não perder a tradição, selecionei os 15 posts mais acessados de 2017: Continue lendo “Retrospectiva 2017 – Posts mais acessados”

10 anos de abstemia!

10 anos de abstemia!

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Essa semana completou exatos 10 anos que sou abstêmia, ou seja, 10 anos sem ingerir nada de álcool.

Entrando quase na minha 3ª década de vida, as pessoas não estranham mais tanto quando eu falo isso (pensam que é um sinal de maturidade), porém, tive que ouvir muitos comentários surpresos das pessoas ao meu redor até aqui, principalmente em festas. “Nossa, você não bebe? Que estranho!” ou “Bebe só um golinho!” e o clássico “Ah, é para manter o corpinho, né?!”

Minha abstemia não tem motivos religiosos, fitness, estéticos e muito menos foi imposta por dogmas antiquados. Quando a gente começa a analisar o porquê dessas necessidade de TER que beber, percebemos o quão ridículo e prejudicial isso é.  Eu escolhi não ingerir mais álcool pela minha saúde. Vivo muito feliz sem dores de ressaca e me divertindo sem muletas psicológicas. Eu não preciso mascarar minhas inseguranças e aprendi a conviver com a minha timidez. Não estrago o meu corpo para que uma festa ou companhia chata se tornem legais. Também não me importo se os outros ao meu redor continuem bebendo. Já estou acostumada a ser A DIFERENTONA do rolê.

Um brinde de água. Ou suco de uva. Ou água de côco. Ou chá de erva-doce com açúcar.  E até de Moloko! haha

Não se diminua para satisfazer os outros!

“Você poderia se diminuir para que eu possa me sentir bem com a minha masculinidade?”

Qualquer pessoa – amigo, namorado, parente, seguidor de rede social – que te faça se sentir dessa maneira, deve ser excluído da sua vida. Mantenha perto de você apenas pessoas que celebram a sua grandeza, quem te encoraja e te apoia. Preste atenção nas piadinhas e comentários que escondem essa intenção de te diminuir. As pequenas coisas podem afetar enormemente alguém e isso vale para pessoas de todos os sexos. Aperte o botão de “block” sem dó!

Todos nós somos gigantescos e importantes!
Lembre-se disso.

créditos: @ouvra

O que está acontecendo com a Balenciaga?

Como fiel espectadora de desfiles de moda, fico muito triste quando um designer novo chega e deturpa todo o legado de uma grife importante. Aconteceu isso com a Dior em 2012, quando o Raf Simons assumiu o cargo de diretor criativo e aniquilou o estilo “lady like”, que era a alma da marca. Agora estamos vendo a mesma coisa acontecer com a Balenciaga, graças ao Demna Gvasalia.

Tá certo que a Balenciaga não segue muito o estilo clássico já há alguns bons anos, mas a criatividade das peças sempre teve um conceito misturado com o ponto de vista focado no comercial. Tanto que o Nicolas Ghesquière, estilista responsável por essa renovada e popularização da marca, saiu de lá em 2012, após 15 anos de dedicação falando exatamente sobre como a direção o impedia de usar sua liberdade criativa:

“Durante os últimos dois ou três anos foi uma frustração atrás da outra. Foi essa falta de cultura que me incomodou no final. As peças mais fortes que fazíamos para a passarela eram ignoradas pelas pessoas dos negócios. Eles esqueciam que para termos aquela “biker jacket” super-vendável precisávamos começar por uma peça de passarela com uma técnica perfeita. Comecei a ficar infeliz quando percebi que não existia estima, interesse ou reconhecimento pela pesquisa que eu fazia; eles só se interessavam pelo que seria o resultado mercadológico. Tornei-me o Sr. Merchandiser”, diz.

Hoje, Ghesquière ocupa o cargo na Louis Vuitton e continua encantando com a sua criatividade altamente mercadológica e comercial. Em compensação, a Balenciaga viveu uma troca de estilistas meio infeliz. Primeiro contrataram o Alexander Wang, que é excelente, mas a parceria durou apenas 3 anos. Logo, a marca precisou substituí-lo com urgência, e é aí que perderam a mão ao contratarem o estilista alemão, Demna Gvasalia (do coletivo Vetements). Veias artistas bem distintas e conflitantes.

No ponto de vista comercial, ele até deu umas bolas dentro e conseguiu lançar moda de certas peças que vemos sendo copiadas ad. infinitum por aí. É o caso das correntes gigantescas nos óculos – $495 – e das botas otk ‘Knife’ super exageradas que caíram no gosto das fashionistas.

Aliás, essa bota de R$8.500 segue o mesmo padrão daquela que eu fiz para minha fantasia de Halloween no ano passado. Se quiserem, ensino como fazer igual gastando apenas uns R$30 de material! Lancei tendência com a minha versão prata, até a Balenciaga me copiou agora na coleção de verão 2018 (risos):

No meu ver, isso foi mera sorte do estilista por conseguir se aproveitar do status que a marca proporciona por si só. Ou vocês acham que essa bota e essa corrente teria recebido alguma notoriedade se fossem lançadas por algum estilista não muito famoso? Ou então se custassem $5 inicialmente? Pois é. Essa história de “desejar o inalcançável” todo mundo já está careca de saber que acontece desde sempre, né.

Mas o pior é exatamente isso. Parece que o estilista pirou ao saber que poderia lançar qualquer coisa horrorosa com uma etiqueta que todo mundo desejaria enlouquecidamente. Foi o caso de copiar a bolsa de compras da Ikea (rede de loja de móveis baratos) que custa apenas $0,99 (você leu certo, MENOS DE 1 DÓLAR!) e fazer uma idêntica da Balenciaga custando $2.145!

A internet ficou chocada com essa história e logo a viralizou como PIADA.

Isso pq poucos conhecem as SACOLAS DE FEIRA do Brasil e da América Latina, que também foram utilizadas como inspiração pela marca, que vendeu modelos idênticos por $1300!

Você quer ser sacoleira de luxo?

Já que o assunto é sacolas. Que tal uma shopping bag pela bagatela de $1100?
Ela esgotou em pouco tempo, acreditem!

Mas não fique triste, pois tem a nova versão da shopping bag em preto por $1135!

Não contente com esses vexames, Gvasalia criou outra peça para virar chacota. Em parceria com a Crocs lançou o sapato “Foam”, uma plataforma de 10cm e vários pins coloridos. Tem rosa millennial e amarelo banana:

Tenho um pressentimento que ele curte a filosofia dos brasileiros: “Falem bem ou falem mal, mas falem de mim”. Tanto que já admitiu que não explica suas ironias e entende o motivo do público ficar brabo com suas criações. Essas controvérsias vêm desde os tempos da Vetements, quando ele lançou uma camiseta da DHL com valores absurdos – €245 – que se esgotou em pouco tempo. Demna assumiu que jamais compraria algo da própria marca por causa dos preços superfaturados. Ou seja, chamou os consumidores de trouxa! #nasuacara

Você pagaria R$900 por uma camiseta dos Correios? 😂

Eu, que geralmente tenho uma grande tolerância ao que é arte na moda e peças conceituais abstratas no mundo da Alta-Costura, não consigo engolir o trabalho dele. Vejam bem, não estamos falando de uma grife como a Moschino e nem das criações loucas do Jeremy Scott, mas sim de uma assinatura da Balenciaga, famosa pela forma clássica de puxar alguns limites de uma forma não infantil ou jocosa como essa.

Tem até um  “marabu” ou “boá“, tipo aquelas pluminhas que faziam parte da decoração do nosso quarto lá no início do milênio. Só que o cachecol da Balenciaga custa R$1920 e é feito do mesmo material – penas de peru – do que aquelas de R$5 que encontramos nas lojas de artigos de festas.

Tudo bem quando tem um conceito legal por trás da peça que te faz pensar. Mas isso?! Isso só me faz pensar que os caras tão loucos pela geração “Tumblr do Instagram“. Só que, por motivos óbvios, esse público também não têm poder aquisitivo para torrar nessa atrocidade. Então, qual o objetivo?

Vocês conseguem imaginar alguma blogueira de respeito usando isso? Eu sinto vergonha alheia por antecipação de quem receber esse sapato de “mimo” em troca de divulgação. (Porque obviamente eles irão apelar muito para tentar desovar esse encalhamento!)

Não me venham com a desculpa da moda de “ugly shoes” pq isso não me desce! Nem que isso é para chamar atenção para o desfile. Isso é lamentável, triste e deprimente. A única desculpa plausível seria uma crítica ao consumo, só que nesse caso a piada seria o próprio consumidor.

P.S.: Nem entrei no mérito de falar sobre os maus tratos cometidos pela marca com as modelos! Isso é tão absurdo e revoltante que eu prefiro que vocês leiam em outro site.

Aniversário do Blackout – a Bíblia do Pop

It’s Britney, bitch!

O álbum Blackout da Britney Spears comemora hoje 10 anos de lançamento e continua sendo um marco na história musical, muitas vezes referenciado como a própria Bíblia do Pop. Mesmo lançado na época mais dark da carreira da nossa princesinha, é o trabalho mais visceral que um artista pop já ousou fazer. Tudo isso de uma maneira dançante, sexy, com letras divertidamente irônicas e sagazes, melodias pesadas e empolgantes… perfeito para esquecer todos os seus problemas e se jogar na pista da boate! Desde a sua criação, até hoje ele influencia todas as músicas e artistas pop, um verdadeiro ícone.

Como eu cresci com a Britney, todos os álbuns dela fizeram sentido com a fase pessoal que eu passava no momento, parecia que evoluíamos (e caíamos) juntas. Quando o Blackout foi lançado, não foi diferente. Eu estava na fase mais baladeira da minha vida, andando com pessoas interesseiras e falsas, ligando o foda-se para tudo e todos, vivendo como se não houvesse limites ou regras (assim como ela). Poucos meses depois, lembro de ver a Britney sendo internada às pressas depois de um colapso nervoso e eu, não pelos mesmos motivos, também passava por problemas de saúde e acompanhava tudo isso de dentro de um hospital. Foi uma época bem pesada, mas uma ótima maneira de quebrar o ego e se libertar de todas as amarras sociais que exigiam perfeição a todo custo. Lembro que esse álbum me ajudou muito a passar por esses momentos, era uma gota de ânimo instantâneo assim que eu apertava o play.B

O site The Fader fez uma matéria especial sobre esse aniversário, trazendo diversas informações novas e entrevistas exclusivas com os produtores do álbum, entre eles o nosso tão aclamado Danja e a própria Britney Spears. É fascinante tentar entender o que se passava no olho do furacão que a Britney vivia na época. Dessa maneira, conseguiu abrir os olhos do público e os fez entender que ela não era uma mera bonequinha manipulada, pois possuía uma grande alma artística – muito talentosa, por sinal!

Até hoje esse álbum é considerado o melhor de sua carreira. Uma mistura de música eletrônica na medida certa com uma batida forte de hip-hop. Músicas como “Gimme More”, “Piece of Me” e “Break the Ice” são sexy e representam sua resposta contra a manipulação da mídia e seus amigos falsos. Ao mesmo tempo, são divertidas e ótimas para dançar.

O que Britney Spears diz sobre o Blackout?

Blackout foi a primeira vez que trabalhei com o Danja, ele me deu oportunidade e liberdade de explorar sons e influências mais urbanas. Isso realmente me inspirou! Também tive a chance de cantar mais e trabalhar minha voz de maneiras que não tinha feito antes. A mágica do Blackout foi na verdade muito simples: não foi muito pensado, apenas fiz o que sentia e funcionou. Às vezes o menos é mais, eu acho.
Ah, sim, é bem provocante – e eu amo provocar!”

Danja, produtor

“Eu não pensei sobre “música pop” enquanto criava o Blackout. Eu estava curtindo música dance e EDM na época, mas ainda não era mainstream. Eu ia em clubes de Miami algumas vezes por semana para observar a atmosfera. Todo mundo dançava muito “Satisfaction” do Benny Benassi e também Tiesto, literalmente em transe. Então pensei: “É isso! Se minha música não te faz sentir dessa maneira, o que estamos fazendo? Não pensei sobre nada mais do que trazer essa essência para a cultura popular.

Já viu essa linda rainha pop em uma música com batidas pesadas e arrasadoras? É como caramelo – rico, quase insuportavelmente doce, mas tão bom ao mesmo tempo. Isso era o que eu estava disposto a fazer. Queria fazer com que as pessoas fizessem careta quando ela começasse a tocar. Tipo em “Get Back“, uma das faixas bônus, era sombria e parecia um videogame – baterias um pouco distorcidas, sintetizador sujo com uma característica quase desagradável, mas com uma boa melodia. Os sons de baixo ainda tinham tons. Até mesmo em “Gimme More” tudo era distinto e tinha características.

Não pensávamos muito antes de irmos ao estúdio – nós apenas nos deixávamos levar pelo fluxo. Fomos capazes de criar sem nenhuma distração e ninguém nos mandando seguir uma direção. É por isso que a parte do álbum Blackout em que colaborei acabou sendo o que é, nós éramos livres.

A Britney deve ter passado por muita coisa a mais em sua vida pessoal do que nós sabíamos naquele momento, e a coisa ficava ainda mais louca quando nos aprofundamos nesse projeto. Mas durante todo o processo, ela era muito presente, atenciosa e interativa. Ela foi uma das pessoas mais fáceis para fazer as coisas – ficaria sentada e cantaria, não importa quantas vezes a fizéssemos repetir, até termos tudo pronto.

Você saberia como ela se sente em relação a uma canção por pura linguagem corporal, ela nem precisa falar nada: Enquanto arrasava nas letras e melodias, ela estaria dançando muito! Você escuta histórias do Michael Jackson criando coreografias inteiras enquanto gravava algumas de suas músicas, e isso acontece com ela também. Eu só me certificava de fazer batidas que ela poderia dançar, algo pesado e diferente com toques de hip-hop. Depois que percebi que era isso que ela queria fazer, foi onde permaneci.

Se você escutar rádio agora ou as músicas mais famosas no iTunes, todo artista pop tem agora algo meio “hard 808” e um toque urbano de hip-hop, e para as artistas femininas, a Britney começou com isso. Ela fez ser OK dançar um pouco, falar porcarias, ter batidas mais pesadas. E tudo isso começou nas boates de Miami!”

 Confira a matéria completa no site do The Fader!

E escute o álbum Blackout no Spotify:

 

Aniversário do blog – 8 anos!

sininhu sylvia santini blog got sin aniversário 8 anos

Nem acredito que já faz 8 ANOS que iniciei uma jornada totalmente inusitada na minha vida, onde o meu hobby virou profissão. Lembro até hoje da tarde do dia 30 de agosto de 2009, quando eu estava recém saindo de uma fase cheia de perrengues de saúde e me refugiava dos problemas mundanos criando blogs no estilo diário virtual para me distrair, devorando revistas de moda, sonhando com o dia que eu faria parte daquele mundo tão criativo. Neste exato dia, tive a coragem de dar início ao Got Sin? para mostrar um outro lado da moda, explorar a ousadia e veia artística sem falsos pudores e sem intenção de focar no elegante, no certo ou no que todo mundo usava, queria oferecer uma visão mais crua, desnuda e visceral.

Tanta coisa boa aconteceu nesses anos que se sucederam. Tive a honra de trabalhar com as melhores e maiores blogueiras do país (Lia Camargo e Bruna Vieira) e ainda me aproximar de pessoas tão especiais que compartilhavam os mesmos gostos do que eu, os meus leitores queridos.

Apesar de muitas pedras terem sido atiradas contra mim durante toda essa trajetória, isso só me fez ficar mais forte e lutar para manter a cabeça erguida enquanto eu sustentava os meus ideais. Consegui aprender a ser mais humilde também, dando valor ao que realmente importa na vida.

Muito obrigada a todas as pessoas que me acompanham!
Você me ajudam a realizar os meus sonhos. ♡

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Para agradecê-los, vou sortear um presentinho! 🎁 Como os posts mais acessados no blog são os que eu falo sobre cabelos (especialmente esse), o prêmio será nada menos do que um protetor térmico da Joico que eu tanto falo para vocês e amo, o Smooth Cure Thermal Styling Protectant. Ótimo para quem faz chapinha, babyliss ou usa muito o secador de cabelos!

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BOA SORTE
Obrigada a todos! 💋
Got Sin? | gotsin.com.br

Estamos vivendo Além da Imaginação?

Com as assustadoras notícias recentes sobre nazismo e delírios da extrema-direita no mundo, fico me indagando o quanto as aulas de História são ignoradas pelas últimas gerações. Se antes conseguíamos aprender importantes lições com os maiores erros cometidos no passado, hoje estamos nos jogando de cabeça na repetição dos mais aterrorizantes, como nazismo, racismo, preconceito, segregação, bomba atômica e fim da democracia.

Fez-me lembrar do capítulo “He’s Alive” da série Twilight Zone (Além da Imaginação), onde um americano neo-nazista é inspirado pelo fantasma do fascismo. Essa história, escrita pelo genial Rod Serling em 1963, não poderia ser mais atual, mostrando perfeitamente o que estamos vivendo no momento presente.

“O retrato de um Führer de uma liga de combate, chamado Peter Vollmer.
Um homem pequeno que alimenta as suas próprias desilusões e
que encontra-se eternamente com sede de grandeza.
Como alguns de seus antepassados, procura uma explicação para a sua sede e
tenta racionalizar por que o mundo passa por ele sem saudá-lo.
O que ele está procurando está no esgoto.
Em seu próprio dicionário distorcido, chama isso de fé, força, verdade.
Mas logo o Peter Vollmer vai exercer a sua atividade em um outro tipo de esquina,
um estranho cruzamento com um lugar chamado Twilight Zone.”

No episódio, o protagonista Peter Vollmer, é líder de um pequeno grupo neo-nazista que é constantemente ridicularizado pelas multidões quando tenta pregar suas doutrinas pelas ruas. Porém, ele vive desde criança com um velhinho judeu, Ernst Ganz, que o acolheu e deu proteção e compaixão, já que o pai de Peter era um bêbado que batia nele constantemente e sua mãe tinha demência e nem reconhecia o próprio filho. Esse senhor é sobrevivente de guerra, foi prisioneiro do campo de concentração de Dachau por 9 anos, portanto sabia o quão nocivo e repugnante o nazismo era, mas entendia que a necessidade política de Peter vinha de um desejo infantil de ganhar respeito dos outros. Isso doía para ambos, mas a compaixão de um e a cobiça do outro eram maiores do que eles.

Uma noite, Peter recebe a visita de uma figura sombria, que o ensina como manipular a multidão com discursos flamejantes:

“Vamos começar te ensinando o que é o dinamismo de uma multidão.
Como manipular uma multidão? Como emocioná-la?
Como fazê-la sentir parte de você?
Una-se a elas primeiro.
Quando falar com elas, fale como se fizesse parte delas.
Fale na língua delas, no nível delas.
Faça com que o ódio delas, seja o seu ódio.
Se forem pobres, fale sobre pobreza.
Se tiverem medo, fale-lhes sobre os seus medos.
Se estiverem zangadas, dê-lhes motivos para ficarem zangadas.
Mas, acima de tudo, o que é essencial, é que você faça desta multidão uma extensão de si mesmo. Diga coisas a ela, como:
“Nos chamam de negociantes do ódio.”
“Dizem que temos preconceitos.”
“Dizem que somos parciais.”
“Dizem que odiamos minorias”
“Minorias, entendam o termo, vizinhos: MINORIAS”
“Querem que lhes diga, quem são as minorias? Querem que eu diga? NÓS!
Nós somos as minorias!”
Assim. Comece deste jeito.”

A partir de então, Peter é periodicamente visitado por essa figura, que paga o aluguel de Peter no salão onde ele realiza comícios e instrui-o a organizar a morte de seu mais fiel seguidor e amigo, Nick, com a intenção de que ele vire um mártir para dar voz à causa deles, fingindo que os “inimigos” os atacaram. Seguindo as instruções, Peter é bem sucedido e os adeptos de sua doutrina começam a crescer cada vez mais.

Com medo de que Peter possa realmente conseguir provocar um novo Holocausto, o velhinho Ernst interrompe uma manifestação, acusando Peter de ser “nada além de uma cópia barata” do Führer alemão, enquanto Peter se acovarda diante de seu pai adotivo. Depois disso, a figura sombria surge novamente e diz que a partir de agora ela não daria mais instruções, somente ordens para que Peter seguisse. A primeira seria matar Ernst, pois assim os neo-nazis sentiriam-se imortais. Peter exige saber a verdadeira identidade daquela figura que está sempre escondida nas sombras e ordena que revele sua identidade. Eis que surge…

“Não fui eu que o escolhi, sr. Vollmer. Você me escolheu!
Escolheu minhas ideias, invocou meu nome e roubou meus lemas.
Agora precisa aguentar tudo o que vier com isso.
No passado, dei sugestões. Agora dou ordens!
A partir de agora, você precisa ser feito de aço.
Sem espaço para fraquezas sentimentais.
Como tratamos Nick. Como tratamos as multidões. Como fizemos os discursos.
E, pouco a pouco, gradualmente, vamos forjar a força.
Primeiro uma ideia, depois a força!
Assim como fiz antes, com minhas próprias mãos.
O velho judeu voltará de novo amanhã à noite e na próxima.
Eu o conheço. Conheço o tipo.
Nós os mandamos para os fornos, mas sempre sobravam alguns para nos acusar.
Esse tipo de gente é perigosa.
Falam demais, pensam demais, plantam a semente do conhecimento e nos retém.
Mate-o! Mate o velho!
Isto é apenas o começo.
Isto é apenas o amanhecer.
Será um longo, longo dia.”

Depois da execução, a polícia chega para prender Peter por conspirar a morte de seu amigo Nick. Ele tenta fugir, achando que tinha se tornado realmente imortal e que ninguém conseguiria acabar com ele, mas após ser alvejado pela polícia ele morre. Então, podemos ver a sombra de Hitler passando pelo local, deixando Vollmer para trás e procurando por outro candidato para assombrar com seus ideais absurdos.

Para onde ele irá agora?
Este fantasma de outra época,
este espírito ressurgido de um pesadelo anterior.
Chicago? Los Angeles? Miami? Indiana? Syracuse? Nova York?
Qualquer lugar. Todo lugar.
Todo lugar onde houver ódio.
Onde houver preconceito.
Onde houver fanatismo.
Ele estará vivo!
Estará vivo enquanto esses males existirem.
Lembre-se disso quando ele aparecer na sua cidade.
Lembre-se disso quando ouvir a voz dele falando através de outras pessoas.
Lembre-se disso quando ouvir um homem atacando a minoria.
Qualquer ataque sem motivo contra pessoas, contra qualquer ser humano.
Ele está vivo porque através dessas coisas nós o mantemos vivo.

Qualquer semelhança com o presente
não é mera coincidência.