Desfile da Gucci – as cabeças cortadas, o manifesto ciborgue e nossa construção social milimétrica

A Milão Fashion Week ainda nem terminou e eu já quero eleger o desfile da Gucci como o melhor da temporada!

Alessandro Michele está de parabéns pelo conceito genial e trabalho artístico utilizado. Uma sala cirúrgica como passarela, cabeças humanas como acessório, terceiro olho, bebê dragão, cobra, camaleão e uma volta ao mundo em uma versão ciborgue!

“Há uma clareza clínica sobre o que estou fazendo. Eu estava pensando em um espaço que representa o ato criativo. Eu queria representar o laboratório que tenho na minha cabeça. É trabalho físico, como o de um cirurgião.” diz o estilista.

Os efeitos visuais ficaram por conta da Makinarium, uma fábrica romana de artigos espetaculares para o cinema, que já trabalhou com grandes nomes como Ridley Scott ♥, Vlad Marsavin e Danny Boyle.

“O conceito reflete o trabalho de um designer/estilista – o ato de cortar, unir e reconstruir materiais e tecidos para criar uma nova personalidade e identidade para eles.”

Também é uma metáfora de como as pessoas constroem suas identidades – uma população passando por auto-regeneração através dos poderes da tecnologia, Hollywood, Instagram e Gucci.

“Nós somos o Dr. Frankenstein de nossas vidas”

A possibilidade de se libertar do confinamento das condições naturais as quais nascemos, seja do ambiente ou até mesmo a quebra dos papéis binários de gênero. Este último, um detalhe que vem sendo explorado por ele ao criar as roupas da Gucci, já que agora podemos decidir o que nós queremos ser, segundo o estilista.

“Nós existiamos para nos reproduzir, mas já passamos dessa fase. Estamos vivendo em uma era pós-humana, com certeza; está em andamento.”

A ideia veio do livro de uma filósofa feminista, Donna Harway, escrito em 1984, chamado: “Manifesto ciborgue. Ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX.”

As escolhas dos looks não poderiam ser mais pop, englobando os gostos do mundo inteiro na coleção – do oriente até as culturas indígenas do América do Sul.

E de todas as épocas – da idade média aos vestidos lamé dos anos 80.

Grandes marcas também foram homenageadas, como a Sega, Paramount, Russ Meyer e Major League Baseball. Aliás, os bonés da MLB prometem ser o próximo hit do Instagram, assim como foi o cinto com a letra G – que você já deve ter visto em algum look de blogueira por aí.

Junto com os clássicos da Gucci em versões modernizadas, também se destacaram as peças de cristal adornando a cabeça das modelos e os pasties de diamante, que cobriam mamilos.

Teve até homenagem ao David Bowie! (SE ISSO NÃO É PERFEIÇÃO, NÃO SEI  MAIS O QUE PODERIA SER!)

A batida do coração que servia de trilha sonora foi um tanto quanto realista, representando perfeitamente o sentimento dos fashionistas que assistiam ao desfile artístico que legitimava a Itália como a residência do melhor do que há na moda.

Se eu amei tudo isso?
Gucci, me adota! Nunca te pedi nada.

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