Mulher sexy e inteligente não existe!

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Vamos lá para mais um texto desabafo. Se você é habitué aqui do blog com certeza já deve saber qual será a temática, visto que os meus textos geralmente possuem esse cunho.

Esses dias saiu uma entrevista da Madonna para a Pitchfork, onde ela fala exatamente sobre um problema que eu enfrento no meu cotidiano também: o mundo não permite que uma mulher seja sexy e inteligente. Nas perfeitas palavras dela:

“Você não pode ser sexy e inteligente. Não é permitido. Nada mudou. Tudo bem se você quiser ir lá e fazer um “twerk”, mas o público é limitado. Se você tentar encarnar muitos aspectos diferentes de personalidade no seu trabalho, ou se você tem muitas referências, as pessoas ficam confusas.”

Isso me soou tão familiar, já que é um problema que eu sempre enfrentei e a partir do momento que comecei a trabalhar com a minha imagem aqui no blog tomou proporções estratosféricas. Esses são os traços mais fortes da minha personalidade: ser sexy e inteligente. Possuo um corpo nos “padrões de gostosa” e possuo 139 de QI. E isso sempre irritou muito as pessoas ao meu redor, ainda mais por eu não fazer esforço algum para pertencer em nenhum desses dois grupos. Não me mato na academia. Não me mato estudando. I just born this way.

Não quero ser pessimista e ver o copo mais vazio, mas confesso que às vezes o meu trabalho se torna bem chato por conta disso. Nunca gostei que me encaixassem em estereótipos do tipo “mulher que tira foto de lingerie só tem isso para acrescentar”. Aliás, detesto qualquer rótulo humano. Acho que uma coisa não anula aS outraS. É, no plural mesmo, já que as pessoas possuem diversas facetas em suas personalidades.

Até os meus 13 anos eu era super nerd, a melhor aluna da sala, sempre com as melhores notas. Não me importava com a aparência e não era considerada atraente na época (ainda bem, né… eu estava mais preocupada com livros, videogames e Barbies nessa idade). Ao completar 14 anos o meu corpo começou a mudar, comecei a ganhar uma curvinha aqui e outra acolá, comecei a me preocupar um pouquinho mais com a aparência e já gostava de um rímel + lápis + pó compacto (esse último para esconder as olheiras de acordar cedo). Mas ainda assim era a queridinha dos professores, coordenadores e diretores de todas as escolas que eu tinha passado. Que orgulho dessa aluna perfeita e nota MB (que seria o equivalente ao 100 ou A)!

Aí, lá pelos 15 anos, resolvi fazer uma tatuagem de fadinha na cintura. Um lugar muito legal pois aparecia mesmo com a babylook (que todo mundo usava!). Pena que a coordenadora da escola católica onde eu estudava odiou e passou a me ver como, literalmente, um demônio. A partir desse dia a minha vida inteira mudou. Não falo isso de forma figurada. Comecei a ser perseguida pela direção da escola. Inventaram uma regra que proibia as alunas do ensino médio de usarem babylook no uniforme e, é claro, colocaram toda a culpa em mim e na minha amiga: “Agradeçam a Sylvia e a Fulana por ninguém mais poder vir assim!” Enquanto as meninas da 7ª série e 8ª continuavam mostrando o umbigo, afinal, elas eram crianças e não usavam com malícia. O motivo disso: eu fazia os meninos não se concentrarem nas aulas e pensarem em “besteira”. Porque sexo é “besteira”. Porque mulher se veste apenas para agradar os homens. Nasce mais uma bruxa de Salém. Nasce uma mulher que precisaria bordar a letra A cor escarlate na roupa. Nasce uma pecadora.

Ok, o tempo passou, enfrentei alguns preconceitos durante o caminho, mas nada se compara quando o meu blog começou a bombar. Para quem não sabe, o meu blog ficou famoso pelo conteúdo de moda e não pelas minhas fotos, que começaram a ser publicadas só depois de mais de um ano de existência dele. As fotos ajudaram depois? Com certeza. Mas eu sempre fiz questão de misturar as duas coisas por aqui (conteúdo e imagem).

Enquanto homens bonitos podem ser considerados bons líderes, certos preconceitos de gênero costumam atrapalhar as mulheres atraentes, diminuindo suas chances de serem contratadas para cargos mais elevados, que requerem autoridade. [fonte]

Do mesmo jeito que uma foto de lingerie me liberta, pois sinto que estou pisando em todas as proibições e regras pudicas que existem nesse mundo, ela também parece colocar uma venda na minha boca, me deixar muda. Depois disso nada do que você escrever ou falar será mais importante do que uma foto sua. As pessoas presumem que sou burra e só sirvo para ser panicat – palavras retiradas de comentários que recebi ao longo desses anos. Me sinto um pouco como a Ariel (Pequena Sereia) que teve que pagar o preço da sua voz para poder ter pernas.

Posso escrever uma tese de doutorado aqui no blog, as pessoas vão ter preguiça de ler e vão esperar uma fotinho ser publicada para virem com seus julgamentos vazios e poderem me chamar de burra. Pior ainda quando falam que sou “chata” quando escrevo esses posts desabafando (pq mulher bonita que fala é SEMPRE chata). Isso me deixa chocada: como alguém que não gosta de ler é capaz de julgar o intelecto de outra pessoa pela roupa dela?

No fim do dia tenho que aprender com a Madonna. “Emburrecer” meu conteúdo. Mastigar para ficar bem digestível. Desenhar se possível em vez de escrever. Afinal, mulher só pode ter uma faceta de personalidade. Para ser inteligente tem que ser feia. Para ser sexy tem que ser burra. Reconhecer suas qualidades te faz arrogante. Falar te faz ser chata. “Garota caladinha ele adora!”

Sabe qual o grande problema nisso tudo? O sexismo continua rolando solto. Essa é só mais uma página de machismo que precisamos enfrentar diariamente.

“Nem li e nem lerei!”

12 comentários sobre “Mulher sexy e inteligente não existe!

  1. Mayã Meirelles disse:

    Perfeito!
    Acho esse preconceito completamente sem nexo, pq uma coisa não tem NADA a ver com a outra! Quando eu jogava xadrez profissionalmente já não me levavam a sério por eu ser mulher, imagina se eu fosse vaidosa naquela época! Claro, pq pra jogar xadrez tem que usar óculos fundo de garrafa, CLARO! Tá nas normas! ¬¬
    Acho todos esses rótulos e comparações ridículos. “Ele é bonito demais pra ela”, “Ela é rica demais pra ele”, “Ela é velha demais pra ele, é certo que ele tá interessado no dinheiro”. Acho esses preconceitos coisa de gente tão mesquinha, que se preocupa com a vida dos outros em vez de cuidar do próprio umbigo.
    Uma coisa que tu citou brevemente e que me enche o saco é gente que quer encontrar alguma palavra ou vírgula que possa interpretar errado pra depois ficar chamando os outros de burro. Cara, que coisa mais chata! Se eu acho que a pessoa se pronunciou de forma errada, eu tento entender o que ela disse e pronto, mas as pessoas PRECISAM encontrar algo pra falar mal. Elas precisam entrar num blog só pra dizer “Só é bonita pq tem dinheiro”, “Só tem fama pq é amigo de famoso”. A prova disso é gente que assiste BBB só pra ficar falando que fulano é falso, fulana é gorda, ciclano é metido…. As pessoas já não conseguem mais ver pontos positivos em meio de tanto pessimismo, tanta inveja e energia negativa que carregam!
    Pronto, desabafei tbm! hahahahah

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    • sininhu disse:

      Mayã, nós temos a personalidade muito parecida! haha
      Eu AMO jogar xadrez! Nunca joguei profissionalmente mas achei o máximo saber que tu já!
      As pessoas acham que para entender do jogo precisa se vestir de nerd e etc. Um saco! Adoro dar xeque-mate em quem subestima meu desempenho por causa da aparência.

      Concordo totalmente sobre os rótulos!
      E tb acho que quem gosta de se encaixar em grupinhos rotulados é pq tem muito problema de autoestima e precisa se autoafirmar. Sempre gostei de fazer “carreira solo”, digamos assim. Livre de rótulos.

      Eu ia prolongar o assunto sobre as pessoas acharem qualquer coisinha para desmerecer quando nos elogiamos. É quase automático isso. Tu fala “sou inteligente” e aparece alguém corrigindo uma vírgula errada achando que vai te fazer mais burra por isso. Tu fala que é bonita, vai aparecer alguém falando “ai, mas tu nem é tão bonita pq tu tem isso e isso de defeito!”. Parece que quando reconhecemos uma qualidade nossa e admitimos ela ao público, algumas pessoas acham que estamos desmerecendo as delas, ou nos achamos superior. Pra eu ser bonita o resto tem que ser feio. Pra ser inteligente é pq os outros são burros.

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    • Edy disse:

      TUDO PUTA ? Perai Vamo Conversar 😏✋ Deixa Eu Contar o Que é Ser Puta … Puta é Mina Que Corre Atrás De Homem Comprometido, Fica Com o Namorado Da Amiga, Que Trai o Parceiro, e Que Não Se Valoriza, Isso é Ser Puta. Mulher Solteira, Fica Com Quem, Quantos e Aonde Quiser, Usa a Roupa Que Quiser, Curta Ou Longa, Certo? Mulher Foi Feita Pra Ser Valorizada, e Respeitada Por Suas Escolhas, e Não Pra Sofrer e Ser Humilhada Por Certas Pessoas. ✌🌚❤🍃💙

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  2. Andrey disse:

    Mme. Santini, não pegue corda dos outros. Seja o que você é e pronto: sexy e inteligente. Quem não gostar que não leia o blog. Period. ;)

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  3. Anna Secco disse:

    Sininhu, não canso de dizer que te admiro!

    Você é simples (me segue no insta OMG), linda, inteligente, quando estou sem criatividade de escrever venho aqui ler seus posts, mesmo os assuntos sendo diferentes você tem uma luz que me inspira (thanks por isso).

    I just born this way kkkkk amei, quem tem o privilégio de nascer com tudo?

    Amo o Got Sin e cada palavra escrita aqui.

    Beijos e continue sendo essa loira, linda, inteligente que o recalque bate e volta!

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    • sininhu disse:

      Anna querida, muito obrigada! ♥
      Adorei saber que tu consegue se inspirar com o conteúdo aqui do blog, tu nem sabe o quanto eu fico feliz com um feedback assim! :D
      Sinta-se abraçada virtualmente! hahha Sou muito grata por ter leitoras lindas e queridas que nem vc. ^^
      Beijão

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  4. Suzanna Rani disse:

    Tenho tanta preguiça dessas coisas. Já vi muito post do tipo “vá ler um livro ao invés de malhar essa bunda” no meu feed. Escrito por mulheres. Que acham que ser gostosa e inteligente não é possível de jeito nenhum. Então, acho melhor você escolher: ser gostosa burra ou inteligente feia.
    Eu nem comento esses tipos de posts no Facebook pq parece que o povo acha legal, acha “daora” e de repente todo mundo começa a ser leitor assíduo e contra essa coisa de querer ficar bonita, querer cuidar de si.
    Tenho preguiça dessa galera.
    Continue sendo gostosa, inteligente, maravilhosa!

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    • sininhu disse:

      Exatamente, Suzanna!
      Parece que uma coisa anula a outra e a gente continua na mesma prisão de estereótipos de sempre.
      Gostar de moda tb é visto como algo fútil e desvalorizante para muitas pessoas, por mais que se tenha um grande conhecimento sobre o assunto (incluindo design, marketing e economia).

      Dá pra ser gostosa, inteligente, linda, bem vestida e ter uma carreira fantástica. Pena que subestimam o girl power.

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  5. Carla disse:

    Sou uma mulher “gostosa” formada em Engenharia Mecânica (que é curso muito masculino) e passei em primeiro lugar em uma faculdade federal muito concorrida aos 17 anos.
    Quando entrei na faculdade, sofri muito com esse estigma, durante todo meu primeiro ano escutei vários professores falando que engenharia não era curso de mulher e passei por diversas situações muito constrangedoras, como por exemplo eu estar sentada na escada da faculdade e um professor passar, bater na minha cabeça e me chamar de “ser inferior”.
    Achava que isso ocorria comigo por eu ser mulher, porém comecei a observar que isso não acontecia com as meninas mais masculinizadas da minha sala, ou com as que eram menos “atraentes”.
    Além disso eu era odiada pelas poucas meninas da sala e principalmente pelas namoradas dos meninos, não fazia nada para elas, era odiada de graça.
    O pior dia dessa saga da faculdade, foi um professor meu de uns 60 anos de idade, dar em cima de mim e falar: com um corpo como o seu, você não precisa estudar. Eu tinha 17 anos e foi uma coisa horrível de escutar.
    Resultado de tudo isso, tranquei a faculdade por 1 ano, quando voltei estava quase 30 kg + gorda, e eu digo: foi libertador! A implicância que tinham comigo acabou, comecei a ser reconhecida só pelas minhas notas e até fiz amigas mulheres.
    Hoje emagreci o que eu engordei, estou no mercado de trabalho, mais madura e em uma posição de sucesso. Escuto muitas piadas no corredor, escuto as pessoas falando que eu só estou na minha posição porque “dei” para algum chefe, porém hoje sei lidar com isso, nunca mais prejudicarei minha saúde por comentários maldosos das pessoas.
    Acho muito importante essa discussão, sempre gostei do seu blog pela sua inteligência e por não ter vergonha de ser sensual, por não ser hipócrita e saber que é bonita e sentir confortável em falar isso.
    Esse estigma me prejudicou muito, me fez ter vergonha das minhas curvas, me fez desejar não ser mulher.
    O + triste de tudo isso, é que não parte só dos homens, mulheres fazem isso umas com as outras.
    Hoje, com quase 30 anos, estou feliz com meu bumbum grande,meu cérebro potente e minha carreira.

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    • sininhu disse:

      Carla, que bom ler teu relato e saber que tu conseguiu enfrentar tudo isso e retomar o teu poder. Infelizmente algumas pessoas acham que só homens conseguem trabalhar com matemática e coisas do tipo. Quando eu era criança essa era a minha matéria favorita, lembro até hoje de quando uma professora fez uma competição entre os alunos da minha turma e eu ganhei. Um menino que era bem inteligente começou a chorar dizendo que eu não poderia ter ganhado pq eu era “menina e meninas não entendem nada de matemática”. Ele era criança, então aprendeu isso em casa, era uma vítima também. Mas me choca até hoje a naturalidade com que trataram na escola essa afirmação dele na época. Mesmo eu sabendo mais do que ele, era difícil para ele aceitar isso. Absurdo, né?

      Guria, tu é muito guerreira! Enfrentar esses professores nojentos aí não é para qualquer uma. Ainda mais esse pedófilo! Que nojoooooo deles! O pior é que essas atitudes ficam pra sempre na nossa memória. Fico feliz que tu tenha conseguido superar e retornar aos estudos.

      Infelizmente essa parte de preconceito contra mulheres bonitas não é muito explorado pela sociedade. Alguns podem pensar que é “reclamar de barriga cheia”, mas dói tanto quanto pessoas que são julgadas como feias. Afinal, parece que somos apenas isso: aparência, um objeto.

      As mulheres deveriam ser mais unidas, mas a maioria acredita que deve competir uma com a outra por causa do machismo impregnado na nossa cultura. Tenho certeza que todas nós já sofremos por causa disso alguma vez na vida. O mundo está precisando de um pouquinho de empatia ou compaixão.

      Enquanto isso não acontece, temos que ir fortalecendo nossa pele para conseguir enfrentar essas adversidades sociais diariamente. Ainda bem que há mulheres fortes como vc para mostrar que é possível dar a volta por cima! Continue sambando plenamente nessa sociedade hipócrita! ;D

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