Lili, um novo anjinho no céu

O motivo da minha ausência aqui no blog foi o falecimento da minha cachorrinha Lili, de 11 aninhos. No sábado (dia 07) ela se foi. Como ela fazia parte da nossa família, e foi muito importante para mim, estou enfrentando um período de luto. Espero que compreendam. Assim que possível voltarei a postar aqui no blog e responderei todos os emails, inbox e dm’s.

Desculpa aí quem não gosta de drama – e vai ter muito nesse post -, mas essa é uma maneira que eu encontrei de homenagear a minha cachorrinha e também de desabafar um pouco. Seria egoísmo da minha parte não levar ao mundo a importância dela e de não mostrar para todos o que uma simples vira-lata pode se tornar, e mais importante: SER.

Para os fracos de coração, sugiro que parem de ler aqui…

A Lili (Shi ou Nêguis para os íntimos) é a cachorra mais especial que eu conheci nessa vida. Claro que falando assim, parece que estou apelando para algum clichê básico, mas isso soa dessa forma apenas para quem não conheceu esse anjinho.

Aqui em casa todos apelidamos ela de “Mamãe Loba“, já que possuía um instinto maternal sobre todos nós, humanos e coleguinhas cães. Como ela nunca teve filhotinhos, nos “adotou“. Ela cuidava da minha mãe, do meu pai, do meu avô, de mim e dos meus irmãos. Éramos dela, e não ao contrário, como qualquer outro cãozinho seria.

Desde pequena ela colocava ordem na casa, já que era virginiana, então sempre gostou das coisas certinhas. Não deixava ninguém fazer bagunça, não deixava ninguém ficar triste. Quando eu chorava (não parece, mas eu sou a pessoa mais manteiga derretida eveeer!) por qualquer coisinha, ela surgia correndo do nada com um sorriso no rostinho, latindo de um jeitinho todo especial, abanando o rabinho de porquinho, sentava ao meu lado (ou ficava em pé rebolando) e batia uma patinha no chão – como se dissesse “chega”, hahaha. Parece mentira, mas tudo o que ela fazia era inacreditável. Ela era a nossa super “cã”, a nossa Naná (igual a da história do Peter Pan)!

Sobre o sorriso no rostinho, vocês também podem não acreditar, mas ela sorria! Com dentinhos, sem dentinhos, com os olhos… Ela realmente era uma cachorra super especial.

Lembro até hoje o dia que ela chegou aqui em casa, 24 de outubro de 2000! Uma linda cachorrinha vira-lata que um vizinho ia abandonar numa sarjeta próxima daqui, mas que por sorte (nossa), minha irmã chegou bem a tempo de salvá-la e trouxe para cá.

Ela me escolheu como dona (mas no futuro ela preferiu e virou o Dimon da minha mãe – essa palavra só será entendida por aqueles que já leram o livro Northern Lights), e eu escolhi o seu nome: Lili. O nome veio das historinhas da Disney, uma das filhotinhas da Lady, da Dama e o Vagabundo (pelo menos nos gibis). Lembro também que ela tinha medo de dormir no escuro e principalmente em outro recinto, por isso eu cantava canções de ninar até ela adormecer, para só depois apagar a luz. Mas isso foi só quando ela era bem baby mesmo, pq depois quando cresceu, ficou super corajosa.

Ela adorava praia, principalmente cavar na areia, brincar no mar, pegar gravetinhos, “resgatar” a gente pelo cangote quando achava que estávamos nos afogando, hahaha. Ela realmente achava que era gente, ou que nós éramos cachorrinhos. Mas não importa, ela foi a líder da matilha por 11 aninhos bem vividos, com muito amor e carinho.

Fazíamos festinhas de aniversário para ela, com direito a tortinhas especiais para cachorrinhos, balões e tudo mais. A propósito, balões e guarda-chuvas eram meio que “inimigos” dela, assim como a Bebel (nossa outra cachorrinha) e a palavra ‘banho‘!

Ela adorava ficar na janela da sala, latindo e protegendo a casa. Era a única cachorra aqui de casa que “enfrentava” os fogos de artifício ao invés de se esconder e tremer igual os outros. Ela tinha ‘cojones‘! huaha

Não podia ouvir a palavra passear ou escutar o barulhinho da corrente da guia dela. Ficava toda eufórica chamando a gente para levá-la o mais rápido possível no parque ou em qualquer outro lugar, o importante mesmo era sair e esticar as patinhas. No carro ela geralmente gostava de ir deitadinha naquele espaço dos pés do carona.

Uma comilona, gordinha e feliz. Se eu comia algo, tipo cenoura, chuchu e essas coisas que geralmente não são tão apetitosas para os cães, ela comia também. Só pq me viu comer antes. E era só comigo que ela fazia isso. Imaginem um cachorro comendo chuchu! huaha Pois é!

As orelhas em pé e pontudinhas, a corzinha branca, o símbolo nas costas – tipo o Bolt que tem um raio, mas ela tinha um coraçãozinho (ou um mapa da África, não sei bem ao certo! huaha). Mas ela era linda! E esse coração só demonstrava o quanto ela era amorosa.

É impossível não lembrar dos bons anos que passei ao lado dela. Sua presença era uma verdadeira terapia. Ela me ajudou nos momentos mais difíceis, sem nem ao menos eu falar que estava precisando. Ela tinha um sexto sentido fantástico! Ouvia com o coração.

Parece mentira que a Lili se foi. Ainda caminho pela casa achando que vou ver ela nos cantinhos/esconderijos que ela adorava. O Lupi e o Hogan também fazem isso, já peguei eles no flagra. Todos amavam muito ela, e continuamos amando.

Ela era a nossa “cã” da guarda, o nosso anjinho. Literalmente! Mas agora ela ganhou asinhas e está num lugar muito melhor, sem dores e cuidando da gente lá de cima. Uma parte dela ficou nos corações da nossa família. Impossível esquecê-la, mas sabemos como a vida aqui na Terra é. O corpo é perecível, mas o espírito dela continua vivo e mais forte em outro lugar.

Nós íamos levá-la na praia esse ano – lugar que ela ama tanto – quando ela melhorasse, mas não deu tempo. Ela não resistiu.

Desde agosto (mês do seu aniversário) do ano passado ela passava por problemas de saúde. Primeiro uma pseudociese (diagnóstico totalmente errado), então castramos ela (veterinários mercenários e enganadores, até quando?), e junto disso tivemos a notícia de que não era câncer. As comemorações mal começaram e uma dermatite super forte surgiu em todo o abdômem dela, e aquilo não sarava, mesmo com toda a medicação prescrita. Decidimos levá-la em uma excelente veterinária (uma das melhores, com certeza) de Porto Alegre, e lá, depois de muitos exames, soubemos do diagnóstico: uma forma de câncer incurável e extremamente rara na mama: o inflamatório. A médica deu 6 meses de vida, a contar da primeira semana de Janeiro desse ano. Mas nisso a Lili ainda sofria de falta de ar, devido a um edema pulmonar causado por uma cardiopatia. Sabíamos que ela não resistiria muito mais tempo, mas também sabíamos que seria muito melhor ela morrer do coração do que de metástase – quando o câncer começasse a agir. E foi o que aconteceu. Na madrugada de sábado, a Lili passou muito mal no Hospital Veterinário aqui em Caxias, mesmo assim ela pôde vir para casa e se despedir de mim. Logo após, voltou lá para verem o que poderia ser feito, já que ela não conseguia dormir pois todas as suas forças estavam concentradas em conseguir respirar, estava cada vez mais difícil. Chegando lá, os médicos (excelentes também!) tiraram um raio-x e viram que o edema havia se espalhado para o tórax, restava apenas 15% dos pulmões livres de líquido. Foi anestesiada e feita uma punção de emergência, e ali a Lili não resistiu. Dormiu em paz. Fechou os olhinhos e sentiu seu sofrimento desaparecer, às 10:45hs da manhã.

Foi a notícia mais devastadora que eu já ouvi na minha vida. O pior dia de toda a minha existência! Não parecia verdade. Passei o sábado inteiro achando que estava vivendo em uma espécie de pesadelo. Domingo foi um dia “zumbi”. E a semana inteira está sendo estranha sem a Lili. Minha cachorrinha tão amada.

Sempre acreditei que ela ia viver até os 21 aninhos. Sei lá, é uma aposta alta para a vida canina, mas como ela vivia cheia de amor, tendo do bom e do melhor, dentro de casa junto com nós, achei que isso prolongaria o tempo. Mas quando chega a hora, não adianta. A doença dela não foi adquirida, era congênita, não estava mais em nossas mãos. Temos que aprender a nos desapegar. E isso é muito difícil… Ela já era idosa e tinha aproveitado muito bem a sua vida, cumpriu a sua missão: espalhar amor.

Não sei quando vou voltar com a frequência normal de posts aqui, mas espero que entendam a dificuldade disso. Agradeço a preocupação de todos com a minha ausência pela internet e também pelas palavras de apoio que muitos deram. Assim que eu estiver um pouco melhor, voltarei. Por enquanto vou ficar um pouco afastada, fazendo posts esporádicos. Não fiquem bravos comigo se eu ainda não respondi alguma mensagem, assim que eu estiver com a cabeça no lugar, vou responder todo mundo.

Creio que muitas pessoas vão ler isso e pensar que eu faço muito drama por apenas um cachorro. Mas tenho pena de quem não pode ter um cachorro na vida – ou qualquer outro bichinho de estimação.

Desejo uma Lili na vida de todo mundo!

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Lili eu Te Amo! ♥
Até algum dia…

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